A decisão do ministro Flávio Dino de assumir pessoalmente a relatoria do inquérito sobre o assassinato ocorrido no edifício Tech Office, em São Luís, em 2022, ganhou nova repercussão nacional após voltar às páginas de O Estado de S. Paulo nesta sexta-feira (3). Mais do que um movimento processual, o gesto foi interpretado, nos bastidores do poder local, como um sinal de agravamento da crise política que atravessa o Maranhão. E muita gente do centro do poder político maranhense não dormiu de sexta-feira para sábado (4).
Ao retirar o caso do Superior Tribunal de Justiça e centralizá-lo no Supremo Tribunal Federal, Dino não apenas alegou “anomalias”, “balbúrdia processual” e risco de interferência nas investigações — ele também lançou luz sobre um enredo que mistura homicídio, suspeitas de corrupção, disputas por controle institucional e, sobretudo, o acirramento de uma ruptura política que já não cabe mais nos bastidores.

O caso atinge diretamente o entorno do governador Carlos Brandão, ao citar seu sobrinho, hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, e avança sobre o senador Weverton Rocha, mencionado em relatos que apontam possível tentativa de interferência no curso do processo — siuações que ambos rechaçam. Ainda assim, o simples fato de tais nomes orbitarem um inquérito sob sigilo, conduzido pela Polícia Federal, já é suficiente para tensionar o ambiente político.
Não se trata de um episódio isolado. A decisão de Dino dialoga com outros processos sob sua relatoria que envolvem o Tribunal de Contas do Estado do Maranhão — inclusive a controversa indicação de aliados do Palácio dos Leões. Nesse sentido, o inquérito do Tech Office parece se encaixar em um mosaico maior: o de uma disputa pelo controle de estruturas estratégicas do Estado.
O timing também chama atenção. A rediscussão do caso ocorre no exato momento em que o calendário eleitoral começa a impor suas regras, com o prazo de desincompatibilização de agentes públicos. Embora Carlos Brandão tenha decidido permanecer no cargo até o fim do mandato, a fim de viabilizar a candidatura de seu sobrinho político, Orleans Brandão, a pressão institucional cresce — e pode embaralhar os planos do grupo governista.
Nos corredores do Palácio dos Leões, a leitura é de alerta máximo. A avaliação corrente é de que a movimentação no STF não apenas reabre feridas de investigações sensíveis, como também sinaliza que o embate entre dinistas e brandonistas entrou em uma fase mais aguda — agora sob arbitragem direta da mais alta Corte do país.
Ao mencionar risco de “queima de arquivo”, possível “captura” de agentes públicos e até indícios de uma organização voltada a influenciar estruturas estatais, Dino eleva o tom e o alcance do caso. Se confirmadas, tais suspeitas extrapolam o episódio criminal e atingem o coração do funcionamento institucional do Estado.
No Maranhão de hoje, política e investigação caminham lado a lado — e, cada vez mais, sob os holofotes nacionais.
O fato é que a matéria do Estadão, que os aliados de Brandão dizem que foi “requentada”, deixou muitos governistas sem sono nessa passagem da Sexta-Feira Santa para Sábado de Aleluia. O plantão foi longo!








