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São Luís (MA), 30 de maio de 2026

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O imperador de papel (Trump) e a ilusão da marionete (Flávio)

Tentativas de intromissão externa no Brasil esbarram na soberania de uma das maiores democracias do mundo

Jornalista Ricardo Noblat

Não cabe mais a pergunta sobre se o governo de Donald Trump tentará intervir nas eleições presidenciais brasileiras deste ano. Ela foi respondida nas últimas 24 horas com a decisão dele de declarar as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A intervenção, pois, já ocorreu, e seu objetivo é salvar a candidatura de Flávio Bolsonaro — ameaçada de derreter à sombra do caso do Banco Master — e, se possível, fortalecê-la. Em outras palavras: Trump apoia Flávio e, se eleito, Flávio se alinhará a ele, conforme prometeu.

Até onde Trump irá para eleger Flávio? Não sabemos. Por ora, nem mesmo Trump deve fazer ideia. Ele governa com papéis em branco à sua frente, lápis e borrachas. Toma notas sobre o que passa na sua cabeça e depois as apaga, se muda de opinião, ou as entrega para serem transcritas por assessores. No seu primeiro mandato, muitas de suas ordens, por insensatas ou absurdas, foram bloqueadas por assessores herdados de administrações anteriores. Desta vez, ele cercou-se de auxiliares que só lhe dizem “amém”.

Trump quer ser lembrado como uma espécie de imperador que, à sua época, mandou no mundo. Daí surgem atitudes excêntricas, como a de querer anexar a Groenlândia, o Canadá e o México, invadir Cuba, derrubar o regime do Irã, construir resorts de luxo para milionários na Faixa de Gaza e ganhar, em troca, o Prêmio Nobel da Paz.

Ele se deu mal quando tentou intrometer-se nos assuntos internos do Brasil, exigindo a absolvição de Jair Bolsonaro e dos demais golpistas do 8 de janeiro de 2023. Agora, dar-se-á mal ao tentar intrometer-se novamente. O Brasil não é terra de ninguém; é uma das maiores democracias do planeta. Tem suas próprias leis, e são elas que prevalecerão ao final. O Brasil não é uma ditadura como a Venezuela, onde tropas especiais americanas desembarcaram com êxito para sequestrar Nicolás Maduro.

Acreditar que a influência de Trump será capaz, por si só, de eleger Flávio presidente é desconhecer que somos um povo que preza sua independência. Flávio poderá até se eleger por outras razões, mas não porque Trump o abençoou. O contrário é o mais provável: Flávio acabar derrotado justamente por ser visto como uma marionete de Trump. É o que ele é.

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