O vice-governador Felipe Camarão denunciou, em video postado em suas redes sociais, o que classificou como um “grande esquema de perseguição política” patrocinado pelo governador Carlos Brandão, a quem acusa de querer afastá-lo da vice-governadoria às vésperas do período eleitoral no Maranhão. Segundo ele, há uma tentativa articulada para afastá-lo do cenário político e abrir espaço para a consolidação de um projeto de poder familiar no Estado, orquestrado pelo governador Carlos Brandão, principalmente ao querer eleger para o governo o seu sobrinho, o inexperiente Orleans Brandão, de 33 anos.
Em tom de desabafo, onde chega mesmo a se emocionar, o vídeo de Felipe Camarão coincide com uma série de ações do grupo governista, como a instalação de uma CPI inédita que tenta cassar um vice-governador, e um processo suspeito gestado no Ministério Público Estadual, que estaria sendo feito em segredo de Justiça e foi revelado por um blogueiro que, recentemente, foi vítima de busca e apreensão pela Polícia Federal, a mando do STF. Neste sábado (28/3), por exemplo, os blogs e outras mídias alinhadas ao governo do Maranhão postaram, em tom de denúncia, um texto intitulado “Um assassino na Seduc: Roteiro original do caso Tech Office envolve Camarão do começo ao fim“, com o claro intuito de imobilizar Camarão, ao vincular o vice-governador ao assassinato de João Bosco Sobrinho Pereira Oliveira, funcionário da Secretaria de Educação, morto a tiro por Gilbson César Cutrim Jr., crime de imensa repercussão no Maranhão, ocorrido ……, em frente ao edifício Tech Office. E, sobre esse homicídio, por conta da cobertura jornalística da época, é de conhecimento público que o atual presidente do Tribunal de Contas do Estado, Daniel…Brandão, estaria na cena do crime, juntamente com o vereador Beto Castro. O crime teria sido cometido cometido tendo como causa da cobrança de propina.
Vídeo e contra-ataque
Durante a gravação, Camarão afirmou que a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra ele possui caráter político e foi instaurada sem fundamentos concretos. O vice-governador classificou a investigação como “fajuta” e “falsa”, destacando ainda a exposição de dados e imagens de seus familiares, incluindo menores de idade, o que, segundo ele, colocou em risco a segurança de sua família.
“Não existe crime, não existe irregularidade. O que existe é uma tentativa de perseguição política porque não aceitei negociar meu cargo ou ceder a pressões”, afirmou, Felipe Camarão.
O vice-governador também fez críticas diretas ao atual grupo político no comando do Estado, acusando movimentações para manter o poder concentrado em familiares do governador. Segundo ele, há articulações envolvendo parentes em cargos estratégicos e projetos eleitorais com o objetivo de perpetuar a influência política e administrativa no Maranhão.
“Eles têm em mim a pedra no meio do caminho. Eles queriam que eu renunciasse para que o Brandão virasse senador, o sobrinho governador, o outro sobrinho já é presidente do TCE, a sobrinha vice-prefeita e mais um sobrinho quer ser deputado federal”, enfatizou Camarão.
O vice-governador ainda revelou que teria recebido proposta informal para renunciar ao cargo em troca de um mandato de deputado federal, o que, segundo ele, reforça a tese de uma tentativa de reorganização política para beneficiar um grupo específico.
No vídeo postado em suas redes sociais, o vice-governador também citou o cenário eleitoral e afirmou que sua eventual aliança com outras lideranças políticas – e citou o prefeito de São Luís, Eduardo Braide – preocupa adversários, o que, segundo ele, estaria motivando ataques e tentativas de enfraquecimento político.
Ao final, Felipe Camarão reafirmou confiança na Justiça, disse que irá comprovar sua inocência e convocou a população maranhense a acompanhar os desdobramentos.
“Vamos falar sério sobre o povo do Maranhão. Eu estou sendo ameaçado, faço essa denúncia e vou até as últimas consequências para proteger a minha família. Vou entrar com todas as ações judiciais cabíveis. Vou provar minha inocência na política e na justiça”, concluiu Felipe Camarão.








