Compartilhe o nosso portal

São Luís (MA), 5 de março de 2026

Search
Search

Médico explica como será cirurgia de hérnia inguinal em Bolsonaro

BRASILIA, BRAZIL - JUNE 10: Brazil's former President Jair Bolsonaro reacts as he arrives at the Supreme Federal Court on June 10, 2025 in Brasilia, Brazil. Bolsonaro is accused of leading an attempted coup against the current President of Brazil Lula Da Silva. (Photo by Arthur Menescal/Getty Images)

Segundo o cirurgião Paulo Barros ao CNN 360º, o tipo de condição enfrentada pelo ex-presidente necessita de intervenção cirúrgica e a recuperação completa pode levar até três semanas (CNN)

A perícia médica oficial confirmou que Jair Bolsonaro é portador de hérnia inguinal bilateral, condição que requer intervenção cirúrgica. Segundo o laudo, embora a cirurgia seja recomendada pela maioria dos médicos, ela não possui caráter emergencial. A defesa de Bolsonaro ainda precisa indicar quando o procedimento deverá ser realizado e solicitar ao Supremo Tribunal Federal a autorização para uma data específica.

Para entender melhor o que é uma hérnia inguinal e quais os riscos associados, Paulo Barros, cirurgião do aparelho digestivo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explicou detalhadamente a condição em entrevista ao CNN 360°.

“Hérnia, de modo geral, nada mais é do que um buraco na parede abdominal que permite a saída do conteúdo de dentro da barriga para fora. No caso da hérnia inguinal, esse acontecimento ocorre na região da virilha – então, você tem um buraco naquela região que vai permitir a saída do conteúdo intestinal”, esclareceu o especialista.

“A gente tem os músculos da parede abdominal e temos as fáscias que seguram esses músculos, e aí, você tem uma ruptura tanto da parte muscular quanto das fáscias e isso permite que saia o conteúdo e ele se localize embaixo da pele”, explicou.

De acordo com Barros, a hérnia inguinal é uma das doenças cirúrgicas mais prevalentes ao redor do mundo, afetando principalmente homens. “Estima-se que mais ou menos 30% dos homens vão ter hérnias inguinais ao longo da vida. E só 3% das mulheres”, destacou o médico. Essa diferença ocorre porque, durante o desenvolvimento embrionário masculino, os testículos migram da cavidade abdominal para a bolsa escrotal, tornando a parede abdominal da região inguinal mais frágil.

Outros fatores que aumentam o risco incluem prostatectomia radical, constituição física muito magra, alterações de colágeno e herança familiar. O tratamento para hérnia inguinal é sempre cirúrgico, pois trata-se de um defeito na parede abdominal que não pode ser corrigido com medicamentos ou fisioterapia.

“Se você fortalece o core, você fortalece todo seu abdômen de uma forma geral, o que diminui outras hérnias – mas, acho que está mais relacionado à questão genética do que propriamente uma questão de atividade física ou carregamento de peso”, apontou Paulo Barros.

Tratamento cirúrgico e recuperação

“A questão da urgência do ponto de vista médico tem a ver com os episódios de encarceramento. Quando você tem a saída do conteúdo e o aprisionamento na região inguinal, você tem o encarceramento da hérnia, então, esse paciente precisa de uma cirurgia urgente para isso não se transformar em uma emergência”, afirmou o especialista após ser questionado sobre o caso de Jair Bolsonaro.

O cirurgião explicou que existem dois métodos principais para operar uma hérnia inguinal: cirurgia aberta tradicional e cirurgia minimamente invasiva. “A aberta tradicional, ela ainda é válida, tem bons resultados e acabamos usando com pacientes que tem algum risco, que não queremos passá-lo para uma anestesia geral. E a cirurgia minimamente invasiva, que através de três cortinhos na altura do umbigo, a gente com uma câmera consegue fazer a cirurgia”, detalhou Barros.

Ambas as técnicas envolvem o implante de uma tela de polipropileno para reforçar a parede abdominal, que “quando fazemos de forma minimamente invasiva, colocamos por dentro da barriga, e quando de forma aberta, colocamos por fora”.

Quanto à recuperação, a Sociedade Europeia recomenda cinco dias de parcimônia, evitando carregar peso e fazer esforço físico. O médico, no entanto, sugere que o paciente espere de duas a três semanas para retomar atividades físicas mais intensas.

“De modo geral, é uma cirurgia do dia a dia, é um dos maiores volumes de cirurgia dentro de um centro cirúrgico […] Como é uma doença muito comum, a gente está falando de hérnias pequenas em pacientes sadios que não têm outras comorbidades. Então, em cinco dias, mais ou menos, o paciente já está caminhando, está autônomo, toma banho sozinho. E sete a dez dias é um paciente que já está retornando no consultório”, afirmou o especialista, destacando que a cirurgia é considerada de baixo risco e rotineira nos centros cirúrgicos.

Veja também:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *