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São Luís (MA), 20 de julho de 2026

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Secretário de Brandão é preso pela PF, suspeito de interferir no Caso Tech Office

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de impor prisão domiciliar ao secretário extraordinário de Assuntos Legislativos do Maranhão, Raimundo Cutrim, acrescenta um novo e inesperado capítulo a uma investigação que permanece envolta em mistério e produzindo mais versões.

Prisão domiciliar de Raimundo Cutrim amplia mistério sobre investigação conduzida pelo STF e PF relacionada ao Caso Tech Office

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de impor prisão domiciliar ao secretário extraordinário de Assuntos Legislativos do Maranhão, Raimundo Cutrim, acrescenta um novo e inesperado capítulo a uma investigação que permanece envolta em mistério e produzindo mais versões. Nem o STF nem a Polícia Federal divulgaram os fundamentos que justificaram a adoção de medidas cautelares tão severas contra um ex-delegado da Polícia Federal, ex-secretário de Segurança Pública e integrante do primeiro escalão do governo Carlos Brandão.

Pelo que se sabe, além da prisão domiciliar, Cutrim passou a usar tornozeleira eletrônica, foi afastado do cargo, teve restringido o contato com pessoas que não sejam familiares próximos ou advogados, está proibido de conceder entrevistas, utilizar redes sociais, fazer declarações públicas e realizar ligações telefônicas, além de ser alvo de mandado de busca e apreensão em endereço ligado a ele.

A amplitude das restrições chama atenção. Trata-se de medidas normalmente reservadas a investigações em que o Judiciário identifica risco concreto de interferência na apuração dos fatos, embora, neste caso, o conteúdo da decisão permaneça inacessível ao público em razão do segredo de Justiça. Mas, com certeza, o já famoso “Caso Tec Office teria motivado a operação, com base em denúncias de tentativa de obstrução da Justiça.

Dias antes da operação, Raimundo Cutrim divulgou um vídeo em que afirmava ter recebido informações de que seria alvo de medidas determinadas pelo STF. Na gravação, atribuiu a investigação a uma perseguição política, classificou como parcial a atuação do ministro Flávio Dino e afirmou que parlamentares ligados ao grupo político do magistrado já comentavam, nos bastidores, sobre a existência de uma ordem judicial contra ele. Também negou qualquer envolvimento ilícito e defendeu sua trajetória na segurança pública.

As declarações representam a versão apresentada por Cutrim, mas até o momento não foram acompanhadas da divulgação de elementos que as comprovem. Da mesma forma, o Supremo não se manifestou publicamente sobre as acusações dirigidas ao ministro.

O silêncio das autoridades responsáveis pela investigação, imposto pelo sigilo processual, abre espaço para especulações sobre a origem e o objeto da apuração. Nos bastidores políticos do Maranhão, circula a hipótese de que o procedimento possa guardar relação com o chamado Caso Tech Office, investigação posteriormente federalizada e que também tramita sob segredo de Justiça. Essa vinculação, contudo, não foi confirmada oficialmente pela Polícia Federal nem pelo STF.

Independentemente do objeto da investigação, a operação produz forte impacto político. Raimundo Cutrim não é apenas um ex-parlamentar ou ex-secretário. É um dos quadros mais experientes da área de segurança pública no Maranhão e ocupava função estratégica no governo Carlos Brandão. Seu afastamento compulsório atinge diretamente o núcleo político da administração estadual e amplia a pressão por esclarecimentos.

Mais do que alimentar versões antagônicas, o episódio reforça a necessidade de transparência institucional. Enquanto prevalecer o segredo absoluto sobre os fatos que motivaram uma decisão de tamanha gravidade, permanecerá um ambiente propício a disputas políticas, interpretações divergentes e narrativas conflitantes. Em um Estado marcado por sucessivas controvérsias envolvendo investigações de grande repercussão, a sociedade tem interesse legítimo em conhecer, no momento processual adequado, quais fatos justificaram uma intervenção tão incisiva do Supremo Tribunal Federal.

Penso que esse caminho fortalece a reportagem: ela é crítica porque chama atenção para a gravidade das medidas e para a necessidade de transparência, mas evita transformar em fato aquilo que, até o momento, permanece no campo das hipóteses ou das versões apresentadas pelos envolvidos. Se, futuramente, surgirem decisões judiciais públicas ou elementos oficiais que esclareçam a investigação, eles poderão ser incorporados à análise de forma consistente.

Nos bastidores do poser, comenta-se que as acusações que basearam a busca e apreensão contra Cutrim foram enviadas por Gilbson Cutrim ao STF. O assassino diz ter provas de que o secretário de Carlos Brandão cometeu os crimes de coação e fraude processual, orientando seu pai e sua esposa a mudarem a versão dos fatos para proteger aliados do governo.

A defesa de Cutrim argumenta que as falas foram retiradas de contexto e que a aproximação da família de Gilbson tinha motivações puramente financeiras, ocorrendo antes mesmo do homicídio. A defesa aponta ainda que a investigação do Ministério Público sobre a súbita mudança de versão foi paralisada justamente por um habeas corpus concedido pelo ministro Flávio Dino.

Rememorando

O Crime do Tech Office ocorreu no dia 19 de agosto de 2022. Gilbson Cutrim Júnior matou a tiros João Bosco Sobrinho, em fente ao prédio comercial de mesmo nome na Avenida dos Holandeses, na Ponta D’areia. O caso ganhou notoriedade nacional por envolver, segundo o autor do homicídio, membros da família do governador do Estado do Maranhão. É isso que os governistas estariam querendo apagar, negando as versões em contrário.

Gilbson Cutrim Júnior, o assassino, guarda parentesco com o ex-secretário Raimundo Cutrim, foi preso e julgado em tempo recorde, mas no inquérito da polícia civil maranhense não há menções de que Daniel Brandão, o sobrinho do governador que depois foi indicado e nomeado presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA) estivesse na cena do crime, juntamente com o vereador Beto Castro.

O caso foi federalizado em maio de 2025 e as investigações passaram a ser realizadas pela Polícia Federal. Gilbson Cesar Soares Cutrim Junior prestou depoimento no último dia 19 de fevereiro de 2026, às 15 horas, na Central de Inquéritos dos Tribunais Superiores, em Brasília. Estavam presentes na audiência, a delegada da Polícia Federal e juízes auxiliares dos Tribunais Federais que acompanham o caso. Em mais de três horas de perguntas e respostas, Gilbson Júnior contou o que aconteceu no dia 19 de agosto de 2022, às 11 horas, no prédio Tech Office e nomeou as pessoas que estavam presentes.

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