A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (7), mais uma fase da Operação Compliance Zero e cumpriu mandados de busca e apreensão contra o senador piauiense Ciro Nogueira (PP, um dos principais articuladores políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.
Segundo a PF, as investigações apontam que o parlamentar teria recebido repasses mensais que chegaram a R$ 500 mil para defender interesses do chamado “Banco Master” no Congresso Nacional. Os pagamentos, conforme a apuração, teriam sido operacionalizados por meio de estruturas empresariais e intermediários ligados ao sistema financeiro.
Relação além da atuação política
Os investigadores sustentam que a relação entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro extrapolaria os limites de uma atuação política regular. O relatório policial descreve um conjunto de benefícios e transações que, somados, indicariam troca de vantagens financeiras por influência política.
Entre os pontos destacados estão:
- aquisição de participação societária avaliada em cerca de R$ 13 milhões por apenas R$ 1 milhão;
- repasses mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil;
- cessão gratuita de imóvel de alto padrão por tempo indeterminado;
- custeio de viagens internacionais, incluindo hospedagens e deslocamentos.
A PF também aponta que os pagamentos eram viabilizados por meio de uma parceria empresarial envolvendo a BRGD S.A. e a CNLF Empreendimentos Imobiliários. As operações teriam sido conduzidas por Felipe Cançado Vorcaro, apontado como operador financeiro e primo do banqueiro.

Conversas e suspeitas de repasses
Mensagens interceptadas reforçam a suspeita de pagamentos regulares. Em diálogos entre Felipe e Daniel Vorcaro, há menções explícitas aos valores transferidos ao senador, bem como preocupações com atrasos e com o impacto financeiro dos repasses.
Em uma das conversas, de janeiro de 2025, o operador relata dificuldades de fluxo de caixa diante dos pagamentos. Meses depois, em junho, o próprio banqueiro questiona o atraso de dois meses nos repasses, discutindo se os valores permaneceriam em R$ 500 mil ou seriam reduzidos para R$ 300 mil.
A investigação também alcançou pessoas próximas ao senador, incluindo seu irmão, citado como administrador formal de uma das empresas envolvidas.
Defesa reage
Em nota divulgada nesta manhã, a defesa de Ciro Nogueira negou qualquer irregularidade. Os advogados afirmam que o parlamentar “repudia qualquer ilação de ilicitude” e reiteram que ele está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
A defesa também questiona a robustez das provas, argumentando que medidas “graves e invasivas” estariam sendo tomadas com base em trocas de mensagens entre terceiros, o que, segundo os advogados, exige controle rigoroso de legalidade pelas cortes superiores.
Peso político
Figura central no governo Jair Bolsonaro, Ciro Nogueira comandou a Casa Civil entre 2021 e 2022, sendo peça-chave na articulação com o Congresso e na consolidação da aliança com o chamado Centrão. Sua atuação foi determinante para a sustentação política do governo à época.
Mesmo após deixar o cargo, o senador manteve protagonismo na oposição e segue como um dos nomes mais influentes do Progressistas no cenário nacional.
A nova fase da operação amplia a pressão sobre o entorno político do bolsonarismo e adiciona um componente relevante ao já tenso ambiente institucional em Brasília.onaro durante seu período no comando da Casa Civil








Uma resposta
Ótima abordagem! 👏