Se alguém conseguir explicar, sem recorrer a um fluxograma ou a um quadro de investigação policial, quem será candidato ao Senado no Maranhão em 2026, provavelmente merece uma cadeira na Academia Maranhense de Letras.
A pré-campanha maranhense entrou numa fase em que os personagens mudam de lugar com tanta velocidade que o eleitor corre o risco de votar em alguém que já trocou de chapa antes mesmo da abertura das urnas.
O episódio mais recente envolve o deputado federal André Fufuca (PP). Depois de meses figurando como uma peça importante do grupo governista, desembarcou na pré-candidatura do ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), como postulante ao Senado. Até aí, política é movimento.
Mas o roteiro resolveu desafiar a lógica quando surgiu a informação de que o deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União Brasil), que aparecia justamente como o principal nome para disputar a mesma vaga ao Senado na chapa de Orleans Brandão (MDB), estaria disposto a desistir da corrida senatorial para tentar mais um mandato na Câmara Federal.
Traduzindo: o principal concorrente de Fufuca deixaria a disputa exatamente quando Fufuca muda de lado para disputar a vaga.
O problema é que Fufuca pertence ao PP e Pedro Lucas ao União Brasil. E os dois partidos hoje integram a mesma federação partidária. Assim, a pergunta inevitável é: afinal, com quem ficará a Federação União Progressista no Maranhão? Com Braide? Com Orleans? Com os dois? Com nenhum?
Ou descobrirão uma fórmula inédita na ciência política capaz de apoiar simultaneamente candidaturas adversárias sem provocar uma guerra civil partidária?
Enquanto isso, os demais pretendentes ao Senado parecem passageiros aguardando numa rodoviária sem saber qual ônibus pegar.
A ex-governadora Roseana Sarney (MDB), nome, em tese, considerado competitivo, continua cercada de especulações, mas sem definição clara sobre qual papel desempenhará no tabuleiro.
O ex-senador Roberto Rocha também permanece observando os acontecimentos, como quem aguarda o momento certo para entrar numa partida em que ninguém sabe exatamente quem está jogando em qual time.
No campo liderado pelo vice-governador Felipe Camarão (PT), a situação parece um pouco menos confusa — o que não significa que seja simples. A senadora Eliziane Gama surge, até aqui, como a única candidatura ao Senado efetivamente acomodada na chapa petista, respaldada pelo presidente Lula.
Já na pré-candidatura de Orleans Brandão, o senador Weverton Rocha aparece como nome consolidado para uma das vagas senatoriais e também conta com a simpatia do Palácio do Planalto.
É aí que surge um curioso paradoxo político: Lula parece conseguir dialogar, ao mesmo tempo, com setores que orbitam em torno de Felipe Camarão e com grupos que hoje estão mais próximos de Orleans Brandão. Não chega a ser novidade na política brasileira, mas certamente não facilita a compreensão do eleitor.
E então chegamos ao caso mais enigmático do momento.
Lahésio Bonfim (PL).
Dependendo do dia da semana — e às vezes do horário — Lahésio pode ser candidato a governador, candidato ao Senado ou defensor de alguma composição política ainda não totalmente esclarecida.
Se os demais atores estão jogando xadrez, Lahésio parece disputar simultaneamente xadrez, dominó e futebol de botão.
O resultado é um cenário em que as duas vagas para o Senado continuam sendo o principal objeto de desejo da política maranhense, mas poucos conseguem afirmar, com segurança, quem estará efetivamente na disputa quando as convenções partidárias chegarem.
No fundo, a grande verdade é que a eleição para governador parece cada vez mais polarizada entre os projetos representados por Eduardo Braide, Felipe Camarão e Orleans Brandão. Já a corrida para o Senado transformou-se numa espécie de mercado financeiro político: candidatos sobem, descem, aparecem, desaparecem, mudam de posição e retornam ao ponto de partida numa velocidade difícil de acompanhar.
Por enquanto, a única certeza é que ainda faltam muitas definições.
E, no Maranhão de 2026, até as certezas são provisórias.








