O universitário de Medicina chocou até experientes policiais ao revelar como matou a ex-namorada e colega de faculdade
O assassinato da estudante de medicina catarinense Julia Vitória Sobierai Cardoso, de 22 anos, ocorrido no Paraguai, ganhou novos desdobramentos com a apresentação espontânea e a confissão do principal suspeito, o maranhense Vitor Rangel Aguiar, de 27 anos. Ele se entregou à Polícia Civil do Maranhão na manhã de segunda-feira (4), em São Luís, encerrando um período em que era considerado foragido desde o dia do crime, em 24 de abril.
Ex-namorado da vítima, Vitor também cursava medicina no Paraguai e, segundo as investigações, não aceitava o fim do relacionamento, ocorrido em fevereiro. De acordo com autoridades brasileiras e paraguaias, o crime aconteceu no apartamento onde Julia morava com uma amiga, em Cidade do Leste. O suspeito teria ido ao local sob o pretexto de conversar, mas o encontro terminou de forma brutal.
A investigação aponta que Julia foi assassinada com mais de 60 golpes, sendo 58 desferidos com uma tesoura de unha e outros sete com uma faca. A autópsia também confirmou sinais de estrangulamento. Após o crime, Vitor teria permanecido por horas no imóvel antes de fugir, levando o celular da vítima.
Em depoimento à polícia, o suspeito confessou o homicídio e revelou detalhes que reforçam a premeditação. Ele afirmou que possuía as chaves do apartamento sem o conhecimento de Julia e que vinha monitorando o telefone da estudante. Ainda segundo seu relato, o crime foi motivado por ciúmes e pela suspeita de que a jovem estaria em um novo relacionamento. Apesar da confissão, ele alegou lapsos de memória e não conseguiu esclarecer completamente a dinâmica do assassinato.
A chefe do Departamento de Feminicídio no Maranhão, Wanda Moura, destacou que o investigado admitiu o crime ao final do depoimento, após mais de três horas de interrogatório. A polícia agora busca esclarecer pontos como o acesso às chaves do imóvel, o monitoramento do celular da vítima e a cronologia exata dos fatos.
Julia Vitória era natural de Chapecó, em Santa Catarina, e vivia com a família em Navegantes antes de se mudar para o Paraguai, em 2025, para realizar o sonho de cursar medicina. Descrita por amigos como dedicada, estudiosa e generosa, ela pretendia se tornar pediatra. Sua morte causou forte comoção entre familiares, amigos e colegas.
Inicialmente alvo de um mandado de captura internacional expedido pela Justiça paraguaia, Vitor Rangel será julgado no Brasil. Isso porque o mandado estrangeiro não tem validade automática no país. Diante da informação de que o suspeito pretendia se entregar, a Polícia Civil do Maranhão agiu rapidamente, instaurou inquérito e solicitou a prisão temporária, que foi concedida pela Justiça antes de sua apresentação.
Com base em informações compartilhadas pelas autoridades paraguaias, o caso passa a ser conduzido no Brasil e deverá ser tratado como feminicídio. Vitor permanece preso e responderá conforme a legislação brasileira por um crime que, segundo a investigação, foi motivado por inconformismo, controle e violência extrema.










