O governador do Maranhão, Carlos Brandão veio a público para negar qualquer envolvimento com a organização criminosa investigada pela Polícia Federal no Estado. A manifestação ocorreu um dia após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornar públicas três decisões relacionadas ao inquérito que apura desvio de recursos públicos, irregularidades em contratos, obstrução da Justiça e um homicídio ocorrido em 2022.
Em declaração à imprensa, Brandão afirmou que não tem participação em crimes e classificou as suspeitas como “factóide de época de eleição”. “Eu não tenho nenhum envolvimento com crime, com corrupção, isso não existe. Isso é coisa de factóide de época de eleição”, disse.
Suspeitas e trajetória
Brandão afirmou que, antes de chegar ao governo, exerceu cargos de secretário de Estado, deputado federal e vice-governador, e que suas contas durante a passagem pelo serviço público foram analisadas pelos órgãos responsáveis. Ele disse ainda não conhecer todo o conteúdo da investigação e não ver fundamento nas suspeitas levantadas contra ele.
A assessoria do governador questionou a competência do STF para analisar fatos relacionados a autoridades estaduais e criticou a atuação de Dino no caso. O argumento é que autoridades com prerrogativa de foro no Superior Tribunal de Justiça (STJ) deveriam ter as investigações encaminhadas àquela corte.
A assessoria de Dino afirmou que o ministro não participa de debates políticos desde fevereiro de 2024, quando assumiu o cargo no STF, e que atua apenas nos processos distribuídos a ele conforme as regras do tribunal.
Assassinato e propina
Parte das investigações tem origem no assassinato do empresário João Bosco Sobrinho Pereira Oliveira, morto a tiros em São Luís em agosto de 2022, no episódio conhecido como caso Tech Office. Gilbson Cesar Soares Cutrim Júnior foi apontado como executor do crime e condenado pela Justiça maranhense a 13 anos de prisão.
Segundo a PF, as apurações passaram a indicar possíveis conexões entre o homicídio e um esquema de desvio de recursos públicos, com suposta cobrança de propina envolvendo contratos públicos. Entre os citados está Daniel Brandão, presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) e sobrinho do governador. A PF também investiga Carlos Brandão sob suspeita de liderar uma organização relacionada ao caso.







