Mulher assediada em ônibus relata primeiro caso aos 13 anos: “Ninguém fez nada”

Kell Claudino relata que sentiu muito medo quando um homem desconhecido mostrou as partes íntimas dentro do veículo em São Paulo
Kell Claudino lembra que sofreu o primeiro assédio quando ainda tinha 13 anos (Foto: Reprodução/Instagram)
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Kell Claudino, que foi assediada por um homem em um micro-ônibus em São Paulo, está um impressionada com a repercussão que o caso tomou desde que publicou um vídeo em uma rede social falando sobre o que aconteceu. A maquiadora, hoje com 19 anos, conta para a Marie Claire, que esta não é a primeira vez que sofre uma violência como esta e, quando estava no começo da adolescência, teve o mesmo problema com um vizinho que passou a mão em suas nádegas.

A gente estava dentro do mercado, eu mudei de lugar e, em seguida, ele ficou passando a ponta do guarda chuva novamente na minha bunda. Eu tinha apenas 13 anos de idade! Me calei, contei para minha família que foram atrás, mas minha mãe não deixou fazer nada. Eu tinha que dar um basta. Já aconteceu tanto comigo que eu pensei que ele poderia fazer com mais meninas isso que ele fez (o homem da lotação), poderia ser agredida também, mas arrisquei.

Há apenas dois meses, ela presenciou um outro homem que estava assediando uma garota de 12 anos e também estava sendo assediada pelo mesmo que mora sua rua, na Zona Leste de São Paulo, e a chamava de “gostosa”.  

“Um homem que mora na mesma rua que eu, por anos vivia soltando piadinha, me chamando de gostosa e era pior quando ele estava drogado, morria de medo dele fazer algo. Eu via ele chamando uma garota de 12 anos para ir ver ele que ele dava 5 reais pra ela comprar doce e isso me enfureceu muito. Até que meu primo, irmão e meu cunhado fomos conversar com ele e ele fez a mesma coisa que homem do vídeo negou tudinho e ainda me chamou de mentirosa. E aí que eu bati nele”, detalha. 

Kell Claudino diz que teve total apoio do namorado, David Lucas, de 24 anos (Foto: Reprodução/Instagram)

“Senti um medo terrível”

Kell filmou um homem desconhecido que a assediou dentro do micro-ônibus que ia em direção a Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, na última quarta-feira (10). Ele estava em pé, próximo à porta dos fundos, quando começou a se masturbar para ela. No vídeo, ela aparece atacando o desconhecido com tapas e pontapés até expulsá-lo do ônibus. 

“Me assustei ao ver o pênis para fora da calça (era algo que eu jamais imaginaria acontecer comigo). Em seguida ele começou a fazer gesto inapropriados, a coisa mais horrível, olhei para fora do ônibus e senti um medo terrível, pois já fui assediada duas vezes anteriores. Aí que me deu uma força que não sei da onde veio. Deixei minhas coisas no banco, levantei e pedi para ele se impor como homem ou ele era mau caráter e ele debochou de mim. Chamei o motorista e gritei para que os homens da lotação me ajudassem, mas ninguém veio. Pedi ajuda, nem a mulher que estava me ajudou”, lembra.

A maquiadora abriu um boletim de ocorrência contra o homem e esta é a primeira vez que ela faz uma denúncia formal, mas deixa claro que não tinha feito antes porque sua família se posicionava contrária à atitude. 

“Eu sempre quis, mas minha família não apoiaria isso. Nesse último acontecido, ninguém, absolutamente ninguém perguntou o que aconteceu ou se eu estava bem! Mandei em um grupo de família todos visualizaram, mas não comentaram absolutamente nada, como se esse vídeo fosse algo normal para eles. Eu, na minha vida, tive o apoio do meu namorado [David Lucas] só. E estou numa fase muito difícil a ponto da minha mãe me por para fora de casa, ela é muito machista, sempre me proibiu de usar roupas mais leves em casa, shorts ou saia dentro de casa ou fora de casa. Como se isso acontecesse eu seria errada. Até hoje é assim aqui em casa, no verão fui ao shopping de shorts e ela me condenou como ‘vulgar e inapropriado’ dizendo ‘filha minha não anda como uma qualquer não’! Esses pensamentos dela me encorajam ainda mais a lutar por essa causa”, afirma.

Por fim, ela salienta que a melhor maneira de lutar contra este tipo de violência é denunciar os agressores. 

“Diria a elas, a lutarem não importa a forma. A forma que eu tive em lutar foi encoraja-las. Eu, como muitas, estava tentando ganhar meu dinheiro, meu pão e aconteceu comigo.”

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