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São Luís (MA), 4 de novembro de 2026

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Derrota eleitoral de Trump no Congresso enfraquece plano dos Bolsonaro nos EUA

A vitória democrata nas eleições de meio de mandato (midterms em inglês) dos Estados Unidos pode derrubar os planos do bolsonarismo como um castelo de areia. Com o Congresso sob controle da oposição, a família Bolsonaro encontrará um ambiente bem menos favorável para continuar usando Washington como base de operações contra a democracia brasileira.

Com Congresso dominado pela oposição a Trump, aliança de Eduardo e Flávio perde força para sabotar a democracia brasileira em Washington.


Fabio de Sa e Silva*

A vitória democrata nas eleições de meio de mandato (midterms em inglês) dos Estados Unidos pode derrubar os planos do bolsonarismo como um castelo de areia. Com o Congresso sob controle da oposição, a família Bolsonaro encontrará um ambiente bem menos favorável para continuar usando Washington como base de operações contra a democracia brasileira.

Derrota eleitoral de Trump no Congresso enfraquece plano dos Bolsonaro nos EUA

O roteiro é conhecido. Grupos que perdem poder em seus países se instalam nos Estados Unidos, constroem alianças e procuram influenciar, de fora, os rumos da política doméstica. Algumas diásporas acumularam considerável poder dessa maneira, tornando suas causas parte da agenda norte-americana.

Acompanhei os primeiros movimentos dos bolsonaristas nessa direção. A convite dos democratas, participei como testemunha da audiência no Congresso dos Estados Unidos em que tentaram, em vão, denunciar a existência de uma ditadura judicial no Brasil.

A audiência, da qual muita gente no Brasil equivocadamente desdenhou, já dava mostras da ambição e das táticas dessa operação: apresentar a extrema direita brasileira como vítima de perseguição política e mobilizar o poder estadunidense contra as instituições brasileiras. Na ocasião, estavam presentes figuras como os deputados federais do PL Bia Kicis, Nikolas Ferreira, Gustavo Gayer e Marcos Pollon, entre outros.

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A operação adquiriu mais expressão com a instalação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e a articulação de tarifas e sanções pela Lei Magnitsky contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Agora, com a chegada de Flávio, após a derrota eleitoral e sua fuga do Brasil, ganharia novo impulso.

O próximo passo provavelmente seria buscar o não reconhecimento do resultado das eleições de 2026, acompanhado de novas medidas para pressionar o Brasil e sabotar o governo eleito.

Há, porém, diferenças importantes entre essa empreitada e a trajetória de outras diásporas.

Aposta cega no Maga isola família Bolsonaro em Washington

Primeiro, os bolsonaristas não estão fugindo de um regime autoritário. O Brasil é uma democracia reconhecida internacionalmente, com instituições em funcionamento e resultados eleitorais íntegros, atestados por observadores internacionais.

A derrota nas urnas e a existência de investigações judiciais contra integrantes de uma família não os transformam em exilados políticos. Para sustentar essa narrativa, é preciso convencer os estadunidenses a ignorar o que acontece no país.

Segundo, diásporas que construíram influência duradoura nos Estados Unidos procuraram cultivar relações em todo o espectro político. Buscaram apoio para suas causas entre políticos democratas e republicanos, preservando espaço diante das alternâncias de poder.

Os Bolsonaro fizeram uma aposta muito mais estreita. Vincularam seu destino ao de Trump e do movimento Make America Great Again, o Maga. Seus aliados nos EUA são também participantes de uma disputa doméstica cada vez mais acirrada. A vitória democrata compromete, portanto, boa parte do investimento político da família.

Trump continuará na Presidência, com poderes importantes sobre a política externa. Mas um Congresso controlado pela oposição poderá cobrar explicações, realizar audiências, exigir documentos e investigar o uso desses poderes. Haverá menos espaço para apresentar interesses particulares dos Bolsonaro como se fossem interesses dos Estados Unidos.

É provável, aliás, que a relação se inverta. Em vez de conseguirem novas iniciativas contra o Brasil, os bolsonaristas podem passar a figurar nas perguntas dirigidas ao governo Trump. Por que a Casa Branca se envolveu na defesa dessa família? Que interesses justificaram as pressões sobre uma democracia? Em que condições Flávio foi recebido nos Estados Unidos?

Ao concentrarem suas alianças no Maga, os Bolsonaro fizeram sua capacidade de pressionar o Brasil depender da força de Trump dentro dos próprios Estados Unidos. A onda azul pode expor o quanto havia de areia nessa construção.

  • The Intercept Brasil

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