Compartilhe o nosso portal

São Luís (MA), 16 de junho de 2026

Search
Search

Candidato a presidente da Câmara de São Luís, Beto Castro é preso em operação que investiga envolvimento com facção criminosa

A prisão em flagrante do vereador Beto Castro (Avante), durante a Operação Benedictio, deflagrada na manhã desta segunda-feira (15) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e pela Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic), produziu forte impacto no cenário político da Câmara Municipal de São Luís e lançou incertezas sobre a disputa pela presidência da Casa no segundo biênio da atual legislatura.

Embora figure entre os investigados da operação que apura um suposto esquema de desvio de R$ 9,6 milhões em recursos públicos oriundos de emendas parlamentares, Beto Castro não foi preso por suspeita direta de participação na organização criminosa. O flagrante ocorreu porque os investigadores encontraram em sua residência uma pistola calibre 9 milímetros sem a devida autorização legal para porte.

Ainda na tarde de segunda-feira, a Justiça concedeu liberdade provisória ao parlamentar, impondo medidas cautelares, entre elas a obrigação de comparecimento periódico à Justiça e a proibição de deixar a comarca de São Luís sem autorização judicial.

Apesar da rápida soltura, os efeitos políticos da operação tendem a ser mais duradouros. Até então considerado favorito para assumir a presidência da Câmara, Beto Castro vinha consolidando sua candidatura desde o início do ano e já contabilizava o apoio de pelo menos 16 vereadores, número suficiente para garantir sua eleição.

A disputa ganhou novo calendário após a promulgação da Emenda à Lei Orgânica nº 004/2025, que transferiu para outubro do segundo ano da legislatura a eleição da Mesa Diretora referente ao biênio seguinte. A mudança ampliou o prazo para articulações políticas e fortaleceu a pré-candidatura de Beto Castro, que passou a liderar as movimentações internas. Outro nome colocado na disputa é o vereador Marquinhos.

O cenário, entretanto, sofreu uma reviravolta com a Operação Benedictio. Durante o cumprimento dos mandados judiciais, os investigadores apreenderam aproximadamente R$ 700 mil em espécie na residência do vereador — cerca de R$ 400 mil em um cômodo e outros R$ 315 mil em outro ambiente. Também foram recolhidos aparelhos celulares, documentos, um veículo de luxo e a arma que motivou a prisão em flagrante.

A operação cumpriu sete mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão, autorizados pela Vara Especial Colegiada dos Crimes Organizados. As investigações apontam para a existência de uma organização criminosa suspeita de desviar aproximadamente R$ 9,6 milhões destinados a projetos sociais financiados com recursos públicos.

Segundo o Ministério Público do Maranhão, os investigados teriam utilizado empresas de fachada, operadores financeiros e entidades conveniadas para ocultar a origem e o destino dos recursos. Entre os alvos das prisões preventivas estão Evania Maria Sousa Nicacio, Lucivânia Martins Alves Siqueira, José Roberto Santos Cunha e Cristiana Serra Duarte Cunha.

Outro aspecto que aumenta a gravidade das apurações é a suspeita de vínculos da organização com o Primeiro Comando do Maranhão (PCM). De acordo com o Ministério Público, parte dos recursos desviados teria sido utilizada para financiar uma estrutura de proteção privada ligada ao grupo e para ampliar sua influência em comunidades da capital.

Na decisão que autorizou as medidas cautelares, a Justiça considerou necessária a intervenção para interromper as atividades da suposta organização criminosa, preservar a ordem pública e impedir a continuidade das práticas investigadas.

Embora o vereador negue envolvimento com qualquer irregularidade e tenha garantidos os direitos constitucionais à ampla defesa e ao contraditório, a operação altera significativamente o ambiente político da Câmara Municipal. A depender dos desdobramentos das investigações, parte dos apoios já declarados a Beto Castro poderá ser revista, abrindo espaço para uma reconfiguração das forças internas e da disputa pela sucessão da Mesa Diretora.

Batizada de Operação Benedictio — referência ao termo latino Benedictus (“abençoado”) — a ação faz alusão ao Instituto Sê Tu Uma Bênção, entidade investigada por supostamente ter sido utilizada para operacionalizar o esquema. A ofensiva integra ainda uma mobilização nacional coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), voltada ao enfrentamento da corrupção, da lavagem de dinheiro e do crime organizadonto ao crime organizado, à corrupção e à lavagem de dinheiro.

Veja também:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *