Flávio Bolsonaro teria dito a aliados que Trump falou sobre a reunião com Lula e pediu sigilo da informação, que foi vazada para a jornalista Bela Megale, da Globo. (Forum/Plínio Teodoro)
o breve encontro para tirar foto no Salão Oval da Casa Branca nesta terça-feira (26), Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve que ouvir Donald Trump falar da reunião que teve com o “muito dinâmico” presidente Lula, do Brasil. O termo foi usado pelo mandatário dos EUA em publicação nas redes após o encontro bilateral com o brasileiro no início de maio.
A informação foi divulgada pela jornalista Bela Megale, do jornal O Globo, que afirma que foi o próprio Flávio Bolsonaro quem revelou ao grupo de parlamentares aliados que o aguardavam após a foto com Trump.
O senador, no entanto, teria pedido aos aliados que mantivessem a informação em reserva. No entanto, a nota de Bela Megale mostra que alguém furou o acordo com o filho “01” de Jair Bolsonaro (PL).
Trump publicou a mensagem em suas redes sociais após encerrar o encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Casa Branca, em Washington.
No texto, Trump elogiou o líder brasileiro e classificou a reunião como bem-sucedida. “Acabo de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil”, escreveu o republicano.
O presidente norte-americano indicou que comércio e tarifas foram os temas centrais da agenda bilateral. “Discutimos muitos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião transcorreu muito bem”, afirmou Trump na publicação.
Segundo a jornalista da Globo, Trump ainda teria falado sobre as reformas na Casa Branca durante o encontro com Flávio, mostrando o grau de importância da agenda com o senador brasileiro.
Do i love you de Bolsonaro à foto de Flávio na Casa Branca
A imagem de um dócil Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao lado de um Donald Trump com sorriso plástico no salão oval da Casa Branca nesta terça-feira (27), propagada pela ultradireita para tentar tirar o foco da relação fisiológica com Daniel Vorcaro, do Banco Master, revela a submissão do clã Bolsonaro e do bolsonarismo aos interesses do herdeiro bilionário que preside os EUA e comanda a ultradireita internacional.
A cena remete à patética espera de Jair Bolsonaro (PL) nos bastidores da Assembleia Geral da ONU em 24 de setembro de 2019, quando soltou um tímido e manso “i love you” ao se deparar com Trump.
Imerso no mar de lama que expõe relações promíscuas dele próprio e de aliados próximos – Como Ciro Nogueira, Cláudio Castro e Gutemberg Fonseca – com Vorcaro e Ricardo Magro, do grupo Refit, alvos de uma teia investigada pela Polícia Federal que liga Faria Lima, facções criminosas e o grupo político formado por bolsonaristas e Centrão, Flávio entregou um documento na Casa Branca em que se compromete a entregar o Brasil aos interesses de Trump em troca da patética foto que lhe dá sobrevida eleitoral.
Entregue a auxiliares do presidente dos EUA, o documento lista uma série de desejos de Trump em relação ao Brasil que serão cumpridos à risca por Flávio Bolsonaro, caso o líder da ultradireita embarque em sua campanha eleitoral.
Na lista de submissão, Flávio promete entregar a soberania do Brasil ao permitir que os EUA invadam o país sem comunicar o governo para enfrentar “terroristas” do PCC e do Comando Vermelho, investigados pela PF justamente por ligação e receptação de fuzis do esquema em torno do grupo político do senador.
Além disso, o filho “01” promete rezar na cartilha neoliberal, com a política de privatizações que vai da Petrobrás ao Banco do Brasil. Flávio ainda se compromete a destinar a exploração das terras raras exclusivamente para empresas ligadas a Wall Street, excluindo a China de quaisquer negociações.
A pauta atende também aos anseios da Faria Lima, que deve indicar nomes para a área econômica de um pretenso governo Bolsonaro 2 para blindar Flávio do caso Master e colocá-lo novamente na alternativa anti-Lula.
Como o “i love you” do pai em 2019, Flávio Bolsonaro não escondeu o entusiasmo ao se submeter aos anseios de Trump. A foto tirada no Salão Oval da Casa Branca para ressuscitar sua candidatura à Presidência, no entanto, custou muito caro. E quem pode pagar essa conta é o povo brasileiro.







