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	<title>Exibindo: Locomotiva | Maranhão Brasil</title>
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	<description>Nossa cara na Net</description>
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	<title>Exibindo: Locomotiva | Maranhão Brasil</title>
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		<title>Cresce percentual de mulheres que relatam medo de ser estupradas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Machado]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Mar 2026 21:35:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O percentual de mulheres que declararam ter medo de sofrer um estupro cresceu em uma pesquisa realizada pelo Instituto Patricia Galvão e pelo Instituto Locomotiva, que teve novos dados antecipados com exclusividade nesta segunda-feira (2) à Agência Brasil.</p>
<p>Em 2020, 78% das mulheres ouvidas pelos pesquisadores disseram ter "muito medo de ser vítimas de um estupro". Esse percentual cresceu para 80%, em 2022, e chegou a 82% segundo os dados obtidos em 2025.</p>
<p>O post <a href="https://www.maranhaobrasil.com.br/cresce-percentual-de-mulheres-que-relatam-medo-de-ser-estupradas/">Cresce percentual de mulheres que relatam medo de ser estupradas</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.maranhaobrasil.com.br">Maranhão Brasil</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Em 2025, 82% das entrevistadas declararam muito medo de abuso sexual</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O percentual de mulheres que declararam ter medo de sofrer um estupro cresceu em uma pesquisa realizada pelo&nbsp;Instituto&nbsp;Patricia Galvão e pelo Instituto Locomotiva, que teve novos dados antecipados com exclusividade nesta segunda-feira (2) à&nbsp;<strong>Agência Brasil</strong>.<img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1679336&amp;o=node"><img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1679336&amp;o=node"></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Repórter Brasil, 02/03/2026" width="800" height="450" src="https://www.youtube.com/embed/9lVgAyL_beE?start=36&#038;feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Em 2020, 78% das mulheres ouvidas pelos pesquisadores disseram ter &#8220;muito medo de ser&nbsp;vítimas de um estupro&#8221;. Esse percentual cresceu para 80%, em 2022, e chegou a 82% segundo os dados obtidos em 2025.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das que declararam ter muito medo,&nbsp;15% disseram ter &#8220;um pouco de medo&#8221;, o que significa um&nbsp;total de 97% de mulheres que vivem com algum grau de&nbsp;temor&nbsp;da violência sexual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em dois grupos, a proporção das que sentem &#8220;muito medo&#8221;&nbsp;é ainda maior, chegando a 87% no caso das jovens, entre 16 e 24 anos, e 88% entre as mulheres negras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A diretora de conteúdo do Instituto Patrícia Galvão, Marisa Sanematsu, ressalta que além de o&nbsp;medo ser constante, nenhum espaço é considerado, de fato, seguro.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O medo assombra as mulheres brasileiras o tempo todo, desde pequenas e em todos os lugares: a casa é insegura, assim como sair e voltar, esperar o transporte, enfrentar a condução lotada ou pedir um carro por aplicativo&#8221;, disse.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Esse medo constante faz com que elas desenvolvam suas próprias estratégias de proteção: evitam sair à noite ou usar alguns tipos de roupas e acessórios, procuram estar sempre acompanhadas e até escolhem trajetos mais longos para se sentirem um pouco mais seguras&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Violência dentro de casa</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os institutos divulgam, nesta segunda-feira (2),&nbsp;a segunda onda de dados da pesquisa de 2025. A primeira onda, publicada em setembro de 2025, já havia mostrado que 15% das entrevistadas eram sobreviventes de estupro, e oito em cada dez vítimas sofreu a violência com 13 anos ou menos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados divulgados hoje acrescentam que, <strong>entre as vítimas com até 13 anos, 72% foram violentadas dentro da própria casa.</strong> Em metade dos casos, o abusador foi um familiar e, em um terço dos relatos, foi um amigo ou conhecido da família.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>No total, 84% dos estupros foram cometidos por um homem do círculo social da vítima.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa porcentagem diminui no caso das mulheres violentadas com&nbsp;14 anos ou mais, porém&nbsp;os conhecidos ou membros da família se mantêm como a maioria: 76% dos abusadores eram pessoas conhecidas, incluindo amigos, parceiros íntimos, familiares e ex-companheiros. Além disso, 59% sofreram a violência dentro de casa.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.ebc.com.br/uanso5yAL4rjUavozRREiQyzfKA=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/02/28/abusos_casa_copy.jpg?itok=C_oMgKzk" alt="Matéria sobre ABUSO EM CASA. Foto: Arte EBC" title="Arte EBC"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Arte EBC</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading">Apoio às vítimas</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa <em>Percepções sobre direitos de meninas e mulheres grávidas pós-estupro</em>&nbsp;teve a participação de 1,2 mil pessoas, homens e mulheres, de todas as regiões do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além de perguntar para as mulheres sobre suas próprias experiências com a violência sexual, as entrevistas também&nbsp;ouviram&nbsp;a percepção geral dos entrevistados sobre o assunto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas respostas, foi praticamente unânime o entendimento de que as mulheres têm medo de estupro: 99% dos entrevistados concordam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar disso, 80% das pessoas acreditam que as vítimas nunca, ou quase nunca, revelam para outras pessoas a violência sofrida, principalmente por sofrer ameaças do agressor, por terem medo de não serem ouvidas ou por sentirem vergonha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados gerais se assemelham ao que foi dito pelas entrevistadas que relataram ter sido&nbsp;vítimas, conforme a primeira divulgação da pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cerca de 60% das mulheres que foram vítimas antes dos 14 anos não contaram para ninguém sobre o abuso. </strong>Além disso, apenas 15% foram levadas a uma delegacia, e 9%, a uma unidade de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O apoio a políticas de apoio às vítimas também foi amplo: 93% concordam que o Estado deve fornecer acompanhamento psicológico imediato para meninas e mulheres vítimas de estupro, e a mesma porcentagem acredita que as prefeituras e governos devem aumentar a divulgação de serviços de saúde que atendem vítimas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Depoimentos</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos percentuais obtidos com as respostas, os institutos também divulgam nesta segunda-feira depoimentos&nbsp;de mulheres que sofreram violência sexual.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Uma mulher parda, moradora do Sudeste, com idade entre 25 e&nbsp;44 anos, contou:</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“Comecei a ser abusada criança, com 6 anos, sem nem entender o que acontecia, e o abusador me fazia acreditar que eu era culpada e que, se eu contasse para alguém, ninguém acreditaria em mim. Meu abusador era o meu pai.”</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Já outra vítima, uma mulher preta, moradora da região Sudeste, com 45 anos ou mais, até tentou pedir socorro mas não foi acolhida.</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“Eu tinha apenas 11 anos, foi horrível, não entendia direito o que estava acontecendo. Tentei falar com a minha mãe, mas ela não acreditava em mim, dizia que eu queria acabar com o casamento dela. Ainda bem que minha avó percebeu algo estranho e me trouxe de volta pra casa dela&#8221;.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A gravidez e a falta de suporte para o abortamento adequado também aparecem nos depoimentos, como o de uma jovem parda, moradora da região Sudeste, com idade entre 16 e 24 anos.</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“Eu sofri um abuso e engravidei por causa desse ato.&nbsp;Eu, com 13 anos, não poderia ser mãe e ia interromper minha vida, eu estava estudando, então, eu decidi não contar para os meus pais e pedir ajuda de uma amiga próxima minha. Então, ela me levou a um aborto clandestino e lá eu fiz o procedimento&#8221;.</p>
</blockquote>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.ebc.com.br/-PrCa9S2j8aoGB-20FSiW7_Qg2w=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/atoms/image/1024489-08062016-dsc_8673_1.jpg?itok=6hem41Cq" alt="São Paulo - Ato Por Todas Elas reúne mulheres no vão-livre do Museu de Arte de São Paulo, na Avenida Paulista, para mais um protesto contra o estupro  (Rovena Rosa/Agência Brasil) " title="Rovena Rosa/Agência Brasil"/></figure>



<h6 class="wp-block-heading"><strong><em>Ato Por Todas Elas reúne mulheres no vão-livre do Museu de Arte de São Paulo, na Avenida Paulista, para mais um protesto contra o estupro Foto de arquivo: Rovena Rosa/Agência Brasil</em></strong></h6>



<h2 class="wp-block-heading">Acolhimento é garantido em lei</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A diretora de conteúdo do Instituto Patrícia Galvão explica que&nbsp;<strong>o atendimento imediato e integral às vítimas de violência sexual em todos os hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), sem exigência de boletim de ocorrência, é garantido por lei no Brasil&nbsp;desde 2013.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;É fundamental que o Estado, em todos os níveis de governo, invista na divulgação de informações sobre os direitos da vítima de estupro e de como ela pode acessá-los para proteger sua saúde física e mental, para que essas meninas e mulheres possam retomar suas vidas após o trauma da violência&#8221;, complementa Marisa Sanematsu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ampla maioria também foi favorável aos serviços que realizam a interrupção da gravidez nos casos previstos em lei, como o estupro. <strong>Nove em cada dez entrevistados concordam que todas as vítimas devem ser informadas, nas delegacias ou serviços médicos, sobre os protocolos para evitar infecções sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, 86% acreditam que devem existir serviços públicos em todas as cidades para a interrupção da gestação em casos de estupro. No entanto, apenas metade dos entrevistados conhece algum serviço que promova esse atendimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva, Maíra Saruê Machado, a pesquisa evidencia a necessidade de ampliar e preparar melhor os serviços de acolhimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Existe amplo apoio da população para que vítimas de estupro tenham acesso aos direitos garantidos por lei, mas essas informações ainda não chegam a quem mais precisa&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O estupro é uma violência próxima da realidade da maioria das mulheres, e romper o silêncio por meio da informação é um passo fundamental para garantir proteção e acesso a direitos a todas as mulheres”, defendeu.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Direitos sob constante ameaça</h2>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a comunicadora social e ativista Angela Freitas, co-diretora da campanha &#8220;Nem Presa Nem Morta&#8221;, o cumprimento da legislação que prevê atendimento e proteção das vítimas ainda depende da disposição de gestores políticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A maior parte dos municípios não dispõe desse serviço, as pessoas têm que viajar longas distâncias e nem todo mundo pode fazer isso. É uma carência muito grande. O Brasil passou por um processo de democratização, fez a sua Constituinte, criou o Sistema Único de Saúde, o Sistema Único de Assistência Social, criou políticas públicas, mas todos esses avanços vivem ameaças constantes de retrocesso. Eles ainda não se consolidaram como direitos que são dados e que ninguém contesta&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Angela Freitas também foi uma das articuladoras da campanha &#8220;Criança não é mãe&#8221;, contra o projeto de lei que pretendia equiparar o aborto ao crime de homicídio, mesmo nos casos previstos por lei. Ela acrescenta que essas carências são particularmente danosas para as crianças e adolescentes que engravidam após a violência</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Em grande parte, esses episódios não são revelados de imediato. Até porque elas não são preparadas para entender que o corpo delas deve ser respeitado, inclusive por pessoas da convivência familiar e comunitária. Há uma falta de diálogo e de informação e uma condescendência muito grande com essas situações&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Com isso, muitas vezes, a gravidez não é percebida&nbsp;pela criança&nbsp;nem pelos familiares que estão em volta. Ela só vai ser percebida muito tarde e, quando essas meninas chegam ao serviço de saúde para buscar atendimento, e o direito de interromper aquela gravidez, elas encontram dificuldades dentro do próprio sistema&#8221;.</p>
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