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	<title>Exibindo: agricultura | Maranhão Brasil</title>
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	<title>Exibindo: agricultura | Maranhão Brasil</title>
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		<title>A controversa aposta da China para &#8216;fabricar&#8217; chuva &#8211; e por que muitos ainda duvidam dos resultados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Machado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Feb 2026 19:00:30 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ally Hirschlag &#8211; BBC Future Em março de 2025, uma frota de 30 aviões e drones lançou partículas de iodeto de prata no céu do norte da China. Ao atingirem o ar, o pó amarelo-pálido em seu interior emergiu e logo se transformou em &#8220;fios&#8221; acinzentados, entrelaçando o céu enquanto as aeronaves as liberavam em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image is-resized"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/d913/live/94cc3330-0b47-11f1-b5e2-dd58fc65f0f6.jpg.webp" alt="Dois homens com jaquetas amarelas e capacetes vermelhos estão de cada lado de um lançador de foguetes, com um deles carregando um projétil. Montanhas e neblina podem ser vistas ao fundo" style="width:670px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong><em>A China tenta aumentar artificialmente seus índices de chuva desde a década de 1950 por meio de um método conhecido, embora ainda controverso: a semeadura de nuvens</em></strong></figcaption></figure>



<p><strong>Ally Hirschlag &#8211; BBC Future</strong></p>



<p>Em março de 2025, uma frota de 30 aviões e drones lançou partículas de iodeto de prata no céu do norte da <a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/cdr56r2v966t">China</a>. Ao atingirem o ar, o pó amarelo-pálido em seu interior emergiu e logo se transformou em &#8220;fios&#8221; acinzentados, entrelaçando o céu enquanto as aeronaves as liberavam em padrões cruzados. Muito abaixo delas, mais de 250 geradores terrestres lançavam foguetes com as mesmas partículas.</p>



<p>O objetivo era trazer alívio à seca nas regiões norte e noroeste, conhecidas como o cinturão de grãos do país. A grande operação foi o projeto &#8220;chuva de primavera&#8221;, conduzido pela Administração Meteorológica da China, e planejada para beneficiar as plantações no início da temporada de plantio.</p>



<p>A enorme operação foi aparentemente um sucesso, tendo supostamente produzido 31 milhões de toneladas adicionais de precipitação em 10 regiões suscetíveis à seca.</p>



<p>A China tenta aumentar artificialmente seus índices de chuva desde a década de 1950 por meio de um método conhecido, embora ainda controverso: a <a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-62589828">semeadura de nuvens</a>.</p>



<p>Esse método busca estimular as nuvens a produzir mais umidade com o uso de partículas minúsculas, geralmente de iodeto de prata, cuja forma e peso são semelhantes aos de uma partícula de gelo.</p>



<p>A semeadura de nuvens há muito tempo gera preocupações, que vão desde os possíveis riscos ambientais e os impactos dos produtos químicos utilizados até possíveis danos a populações em áreas vizinhas, decorrentes de alterações nos padrões de chuva, além de tensões de segurança que possam surgir como consequência.</p>



<p>E, mesmo enquanto o país mais populoso do mundo intensifica a prática, cientistas e especialistas continuam questionando o quanto ela realmente funciona.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Caminho-para-a-chuva">Caminho para a chuva</h2>



<p>Nos últimos anos, a China intensificou de forma significativa seus esforços de semeadura de nuvens, em grande parte graças ao avanço das tecnologias de drones e de radar. O país realiza hoje modificações climáticas em mais de 50% de seu território, principalmente para aumentar a precipitação, embora também esteja tentando reduzi-la em determinadas áreas.</p>



<p>A técnica chegou a ser empregada para gerenciar as condições meteorológicas em datas específicas, como nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, e nas comemorações do centenário do Partido Comunista Chinês, em 2021.</p>



<p>A modificação do clima se tornou &#8220;um projeto vital para o desenvolvimento científico das nuvens atmosféricas e dos recursos hídricos, servindo ao país e beneficiando o povo&#8221;, afirmou Li Jiming, diretor do Centro de Modificação do Clima da China, à época da operação &#8220;chuva de primavera&#8221; de 2025. &#8220;É um componente crucial para a construção de uma nação meteorológica forte&#8221;, acrescentou, ao destacar a necessidade de impulsionar a China &#8220;de grande protagonista na modificação artificial do clima a líder global&#8221;.</p>



<figure class="wp-block-image is-resized"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/4905/live/b371b340-0b48-11f1-b5e2-dd58fc65f0f6.jpg.webp" alt="Funcionários do departamento meteorológico chinês se preparam para disparar projéteis de artilharia para semeadura de nuvens em Yongchuan, em 2009" style="width:674px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong><em>Funcionários do departamento meteorológico chinês se preparam para disparar projéteis de artilharia para semeadura de nuvens em Yongchuan, em 2009</em></strong></figcaption></figure>



<p>O crescente interesse da China em controlar a precipitação é óbvia: desde a década de 1950, o país vêm enfrentando secas cada vez mais frequentes e severas, com impactos sobre a agricultura e a economia do país.</p>



<p>Os experimentos chineses com semeadura de nuvens começaram em 1958, quando uma aeronave supostamente teria provocado chuva sobre a província de Jilin, atingida pela seca. A técnica, porém, havia sido descoberta nos Estados Unidos uma década antes e, como tantas ideias inovadoras, totalmente por acaso.</p>



<p>Na década de 1940, Vincent Schaefer era pesquisador da General Electric e trabalhava para evitar que as aeronaves ficassem muito geladas durante o voo. Ele havia desenvolvido um refrigerador especial para demonstrar como o gelo se forma nas nuvens.</p>



<p>Um dia, ele chegou ao laboratório e descobriu que o equipamento havia desligado. Quando colocou um pedaço de gelo seco (dióxido de carbono sólido, em temperatura extremamente baixa) dentro dela para resfriar o interior, testemunhou uma reação surpreendente: cristais de gelo surgiram subitamente, flutuando dentro do compartimento. Ele havia produzido precipitação de forma artificial.</p>



<p>Um ano depois, em 1946, Schaefer lançou quilos de gelo seco sobre nuvens super resfriadas acima das montanhas Adirondack, no Estado de Nova York. O experimento aparentemente desencadeou uma queda de neve.</p>



<p>Depois dessa experiência, iniciativas de semeadura de nuvens surgiram ao redor do mundo, embora com resultados variados e inconclusivos, marcados por dificuldades na medição de dados.</p>



<p>Para demonstrar resultados efetivos da semeadura de nuvens, cientistas precisam de um cenário meteorológico de controle quase idêntico àquele em que tentam intervir na natureza. &#8220;Não conseguimos fazer a mesma nuvem acontecer duas vezes. Portanto, não podemos realizar um experimento controlado&#8221;, afirmou Robert Rauber, professor de ciências atmosféricas na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign (EUA).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Semeadura-de-neve">Semeadura de neve</h2>



<p>Na China e em outras partes do mundo, a semeadura de nuvens, tanto para experimentos quanto para o uso prático, é realizada com mais frequência em áreas montanhosas para produzir neve, principalmente porque a neve é mais fácil de enxergar e medir do que a chuva.</p>



<p>Os cientistas usam radares para encontrar nuvens que contenham água líquida super-resfriada (entre -15°C e 0°C). Em seguida, liberam nelas partículas minúsculas de iodeto de prata por meio de aeronaves ou geradores instalados no solo. Essas partículas congelam ao entrar em contato com a água super-resfriada, formando cristais de gelo nas nuvens, que se tornam mais pesados e, por fim, caem no solo como neve ou gelo.</p>



<p>A semeadura de nuvens em clima quente funciona de maneira semelhante, mas utiliza sal para estimular pequenas gotículas de água a se unirem e aumentarem de tamanho até cair no solo. No entanto, é menos comum, porque nuvens mais quentes costumam se deslocar mais rapidamente e contêm menos água super-resfriada, além de a água não se acumular de forma tão visível quanto a neve, o que dificulta o monitoramento.</p>



<figure class="wp-block-image is-resized"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/d30c/live/2e7ce050-0b49-11f1-9972-d3f265c101c6.jpg.webp" alt="O químico americano Vincent Schaefer, que demonstrou e testou a ideia da semeadura de nuvens, tenta transformar sua respiração em cristais em 1949" style="width:674px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong><em>O químico americano Vincent Schaefer, que demonstrou e testou a ideia da semeadura de nuvens, tenta transformar sua respiração em cristais em 1949</em></strong></figcaption></figure>



<p>A primeira base operacional de semeadura de nuvens da China foi estabelecida em 2013, e hoje o país conta com seis bases que colaboram em pesquisas. Seu programa de modificação do clima é agora o maior do mundo, e as ambições de indução de chuvas cresceram na mesma proporção.</p>



<p>Em particular, a enorme iniciativa Tianhe (&#8220;rio do céu&#8221;, em tradução livre) do país, que visa criar um corredor de vapor de água do Planalto Tibetano até a região seca do norte da China, por meio de milhares de geradores instalados no solo.</p>



<p>Mas a China também enfrenta críticas diante de preocupações com os impactos mais amplos dessas operações. &#8220;Aplicadas em escala suficientemente grande, essas tecnologias de modificação climática podem representar riscos à habitabilidade e à segurança de países vizinhos&#8221;, disse Elizabeth Chalecki, pesquisadora em relações internacionais e governança tecnológica na Balsillie School of International Affairs (Canadá).</p>



<p>Um relatório recente argumentou que uma intervenção de tão grande escala no Planalto Tibetano poderia levar ao controle unilateral da China sobre recursos hídricos compartilhados com países vizinhos, como a Índia, levando a tensões geopolíticas. Por outro lado, uma análise ainda não publicada, baseada em 27 mil experimentos de semeadura de nuvens na China, concluiu que o impacto sobre outras nações foi mínimo.</p>



<p>Os potenciais danos da semeadura de nuvens podem ser exagerados, segundo Katja Friedrich, professora de ciências atmosféricas e oceânicas da Universidade do Colorado (EUA). Por exemplo, &#8220;não há indicação de que a semeadura de nuvens saia do controle e de repente você tenha essa explosão que gera uma tempestade&#8221;, disse ela em referência às inundações em Dubai, em 2024, e no Texas, em 2025, ambas erroneamente atribuídas à semeadura de nuvens.</p>



<p>Ainda assim, especialistas como Chalecki alertam para a ausência de políticas internacionais capazes de prevenir eventuais impactos transfronteiriços à medida que o programa chinês de modificação do clima avança. A China poderia até ser capaz de obter &#8220;um benefício de segurança auxiliar ao degradar discretamente o meio ambiente e a habitabilidade de um Estado rival&#8221;, sugere ela.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Falta-de-evidências">Falta de evidências</h2>



<p>Há, no entanto, outro problema com a semeadura de nuvens: segundo cientistas, a China pode simplesmente não estar produzindo a quantidade de chuva que afirma gerar. &#8220;Acho que as alegações não são suficientemente sustentadas pelos dados&#8221;, afirmou Rauber, da Universidade de Illinois.</p>



<p>Na última década, o governo chinês divulgou repetidas vezes que seu programa de semeadura de nuvens estaria alcançando resultados expressivos. Um comunicado à imprensa afirmou que a iniciativa &#8220;chuva de primavera&#8221; de 2025 aumentou a precipitação na área-alvo em 20% em comparação com 2024. Já a agência meteorológica chinesa declarou, em dezembro de 2025, que as operações de chuva e neve artificial haviam produzido 168 bilhões de toneladas adicionais de precipitação (volume equivalente a cerca de 67 milhões de piscinas olímpicas) desde 2021.</p>



<figure class="wp-block-image is-resized"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/e256/live/622feef0-0b4a-11f1-b7e1-afb6d0884c18.jpg.webp" alt="O experimento Snowie, considerado referência na área, reuniu dados que indicam de forma clara que a semeadura de nuvens levou à produção de neve" style="width:675px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong><em>O experimento Snowie, considerado referência na área, reuniu dados que indicam de forma clara que a semeadura de nuvens levou à produção de neve</em></strong></figcaption></figure>



<p>&#8220;Há muitas alegações [globalmente], seja por parte de agências governamentais ou de empresas que podem se beneficiar de operações de semeadura de nuvens&#8221;, disse Jeffrey French, cientista atmosférico da Universidade do Wyoming (EUA). &#8220;Acho que há muitas declarações [vindas da China] que não podem ser validadas cientificamente nem comprovadas.&#8221;</p>



<p>Em 2017, French liderou um avanço significativo nas evidências sobre a técnica, quando o projeto &#8220;Snowie&#8221;, nas montanhas Payette, no Estado de Idaho (EUA), conseguiu coletar dados que demonstraram de forma inequívoca a produção de neve por meio da semeadura de nuvens. Desde então, os resultados repercutiram internacionalmente.</p>



<p>&#8220;Conseguimos, em diversos casos, identificar exatamente onde o material de semeadura estava nas nuvens e realizar medições diretamente nessas áreas&#8221;, afirmou French, pesquisador principal do projeto. Isso foi possível apesar de haver &#8220;tamanha variabilidade natural, tantas variações na natureza das nuvens e da precipitação&#8221;, disse.</p>



<p>Os pesquisadores também realizaram medições adicionais em áreas próximas, a 1 a 2 quilômetros de distância, o que permitiu comparar as duas regiões e demonstrar uma diferença clara entre a quantidade de neve produzida naturalmente e a gerada artificialmente pelo mesmo sistema de nuvens.</p>



<p>Foi o mais próximo que um estudo financiado de forma independente já chegou de um experimento controlado bem-sucedido na natureza. O extenso conjunto de dados do Snowie representou um marco: não apenas demonstrou que a semeadura de nuvens pode funcionar, mas também evidenciou o equilíbrio complexo de quando e como a técnica apresenta melhores resultados. Os dados viraram referência para um campo científico que carecia de comprovação empírica.</p>



<p>O estudo de referência foi citado em diversas pesquisas chinesas sobre semeadura de nuvens publicadas em periódicos com revisão por pares, incluindo uma que afirma que o trabalho &#8220;demonstra rigorosamente que a semeadura de nuvens realmente criou nuvens precipitantes e aumentou a precipitação na superfície&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Resultados-modestos">Resultados modestos</h2>



<p>Ainda assim, os resultados do Snowie indicaram que o impacto da semeadura de nuvens é, no fim das contas, limitado. &#8220;É por isso que as pessoas tinham dificuldade em demonstrar o efeito nesses sistemas de precipitação&#8221;, disse Friedrich, da Universidade do Colorado. E, embora a técnica tenha sido comprovada em certa medida em outros contextos, até mesmo os cientistas que observaram os resultados de perto questionam se ela é eficaz o suficiente para justificar o esforço.</p>



<p>Alguns também avaliam que o uso da tecnologia avançou mais rápido do que a pesquisa científica, e que ainda não há dados confiáveis em quantidade suficiente para sustentar os resultados divulgados. &#8220;O problema desses programas de semeadura de nuvens é que a maioria é conduzida por governos, como na China ou nos Emirados Árabes Unidos&#8221;, disse Friedrich. &#8220;Mas há pouquíssima análise independente.&#8221;</p>



<p>Isso é relevante porque continua extremamente difícil distinguir entre a precipitação gerada pela intervenção e aquela que as nuvens produziriam naturalmente. &#8220;Em geral, é muito difícil saber se a semeadura de nuvens funciona em todos os casos&#8221;, afirmou Adele L. Igel, professora associada de física de nuvens na Universidade da Califórnia em Davis (EUA). &#8220;A teoria e a ciência indicam que deveria funcionar, mas é difícil verificar essas previsões de forma rotineira com observações e medições.&#8221;</p>



<figure class="wp-block-image is-resized"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/1156/live/dc936a50-0b4a-11f1-b7e1-afb6d0884c18.jpg.webp" alt="Um soldado carrega projéteis usados na semeadura de nuvens durante uma operação para combater a seca em Xigu Township, na Província de Shanxi, no norte da China, em fevereiro de 2011" style="width:676px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong><em>Um soldado carrega projéteis usados na semeadura de nuvens durante uma operação para combater a seca em Xigu Township, na Província de Shanxi, no norte da China, em fevereiro de 2011</em></strong></figcaption></figure>



<p>Persistem ainda inúmeras limitações para que a técnica funcione de forma previsível. A semeadura de nuvens, por exemplo, não produz efeito se não houver nuvens com potencial de precipitação. Também é muito menos eficaz nos meses mais quentes, quando são raras as nuvens com água super-resfriada.</p>



<p>Isso significa que, em muitos casos, o custo pode superar os resultados, sobretudo quando se utilizam métodos aéreos. As técnicas baseadas em solo — que dependem de geradores que lançam iodeto de prata ou outro agente para as nuvens por meio de correntes de ar — são mais baratas, mas muito menos previsíveis. &#8220;A semeadura aérea é bastante eficiente, mas também muito cara, por isso as pessoas recorrem aos métodos terrestres&#8221;, disse Friedrich, da Universidade do Colorado.</p>



<p>Também é impossível prever com precisão quais serão os efeitos de modificações climáticas amplas e contínuas, seja na China ou em outros países. &#8220;É muito difícil avaliar, quanto mais prever, impactos climáticos regionais e anomalias remotas decorrentes de operações de modificação do tempo&#8221;, disse Manon Simon, professora da Universidade da Tasmânia (Austrália), que pesquisou extensivamente as implicações geopolíticas potenciais do programa chinês. Segundo ela, é particularmente complexo determinar se programas de longo prazo podem resultar em secas ou inundações mais frequentes ou intensas. A identificação desses riscos, acrescenta, exige monitoramento permanente e ampla cooperação internacional.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Uma-nova-fronteira">Uma nova fronteira</h2>



<p>Nos quase dez anos desde o projeto Snowie, as técnicas de semeadura e as tecnologias de radar evoluíram, o que pode significar maior produção de precipitação. Com o avanço recente dos drones, a China ampliou o uso de equipamentos mais sofisticados e passou a recorrer à inteligência artificial (IA) para aumentar a precisão na liberação de iodeto de prata.</p>



<p>China e Emirados Árabes Unidos também experimentam métodos como o flare seeding (semeadura com sinalizadores, em tradução livre) e o envio de cargas de íons negativos às nuvens para estimular a união de gotículas, processo que leva à precipitação.</p>



<p>Ainda assim, como ocorre com a semeadura tradicional, permanece escassa a pesquisa independente que comprove de forma conclusiva que esses novos métodos produzem mais chuva. Os cientistas temem que o aumento das secas no mundo, impulsionado pelas mudanças climáticas, acelere a adoção da tecnologia sem que haja, na mesma proporção, estudos que indiquem quando e onde ela funciona com bom custo-benefício.</p>



<p>Os especialistas concordam que mais dados independentes ajudariam a identificar em que circunstâncias a semeadura pode surtir efeito e quando é improvável que funcione. As mesmas informações poderiam orientar medidas de proteção para proteger países vizinhos de eventuais impactos adversos.</p>



<p>Tudo isso, porém, demanda tempo, um argumento difícil de sustentar quando a escassez de água já é realidade, e muitos países buscam soluções imediatas.</p>
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