O deputado estadual Edson Araújo (sem partido) passou a cumprir, nesta sexta-feira (20), em São Luís, uma série de medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão é do ministro André Mendonça e já foi executada pela Polícia Federal, cedinho, na Peninsula da Ponta D’Areia
Entre as determinações estão o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno, entrega do passaporte e restrições severas de contato e atuação junto a entidades ligadas aos trabalhadores da pesca.
Medidas e restrições impostas
O parlamentar está proibido de:
- Manter contato, por qualquer meio, com demais investigados e testemunhas;
- Manter contato com o deputado federal Duarte Júnior (PSB), devendo manter distância mínima de 500 metros;
- Frequentar as sedes da CBPA, da Federação das Colônias dos Pescadores do Estado do Maranhão e repartições do INSS ou da DATAPREV relacionadas a descontos associativos;
- Exercer funções administrativas ou financeiras nessas entidades;
- Ausentar-se do município de residência ou do País, devendo entregar o passaporte em até 48 horas.
Também foi determinado recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga. A circulação está autorizada exclusivamente entre sua residência e a Assembleia Legislativa do Maranhão, para o exercício do mandato.
Segundo a decisão, as medidas buscam preservar a ordem pública e evitar possíveis atos de coação no curso das investigações.
Impacto político imediato
A decisão do STF projeta reflexos diretos sobre a Assembleia Legislativa do Maranhão. Embora não haja afastamento do mandato, o uso de tornozeleira eletrônica por um deputado estadual cria forte desgaste institucional e político.
Edson Araújo é historicamente ligado às pautas dos trabalhadores da pesca e da aquicultura, segmento onde construiu sua base eleitoral. As restrições impostas — especialmente a proibição de exercer funções administrativas e financeiras em entidades do setor — atingem justamente o núcleo político que sustenta sua trajetória.
Nos bastidores, a avaliação é de que o caso fragiliza sua capacidade de articulação junto às colônias de pescadores e pode abrir espaço para disputas internas no segmento.
Repercussão envolvendo Duarte Júnior
A proibição de contato e a imposição de distância mínima em relação ao deputado federal Duarte Júnior adicionam um componente político sensível ao caso.

Duarte Júnior relatou ter sido ameaçado por Edson Araújo em razão de investigações relacionadas à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O episódio amplia o alcance político da decisão, que ultrapassa a esfera estadual e envolve um parlamentar federal.
A tensão entre os dois parlamentares ocorre em um momento de rearranjos políticos no Maranhão, onde disputas por protagonismo e alinhamentos para 2026 já começam a ganhar forma nos bastidores.
Cenário para 2026 e desgaste público
Mesmo sem afastamento do cargo, a imposição de monitoração eletrônica costuma gerar forte repercussão pública e impacto eleitoral. Em um estado onde a política é fortemente personalizada, a imagem de um deputado sob medidas cautelares do STF tende a influenciar alianças, apoios e futuras composições partidárias.
Caso as investigações avancem ou resultem em denúncia formal, o cenário pode se agravar, com possibilidade de novos desdobramentos judiciais e políticos.
Por ora, Edson Araújo segue no exercício do mandato, mas sob vigilância judicial e sob crescente pressão no tabuleiro político maranhense.







