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São Luís (MA), 5 de março de 2026

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O desafio de enfrentar a violência contra a mulher no Brasil

Os números são brutais — e reveladores. Segundo o livro Brasil no Espelho, fruto de uma pesquisa inédita encomendada pela Globo, 44% dos homens brasileiros consideram “natural” agredir uma mulher em caso de traição. Não se trata de um erro estatístico, tampouco de um desvio isolado. É um retrato incômodo — um espelho que o país há muito evita encarar.

Os números são brutais — e reveladores. Segundo o livro Brasil no Espelho, fruto de uma pesquisa inédita encomendada pela Globo, 44% dos homens brasileiros consideram “natural” agredir uma mulher em caso de traição. Não se trata de um erro estatístico, tampouco de um desvio isolado. É um retrato incômodo — um espelho que o país há muito evita encarar.

Esse dado, por si só, derruba a ideia de que a violência de género seria exceção ou obra de “monstros” distantes do convívio social. Pelo contrário: ela está entranhada na cultura, nos valores herdados, nas crenças transmitidas de geração em geração. É ensinada, naturalizada e, muitas vezes, celebrada em silêncio dentro de casas, bares, igrejas, grupos de WhatsApp e redes sociais.

E o mais alarmante: este não é um fenômeno novo.

Há mais de uma década, a pesquisa Percepções dos Homens sobre a Violência Doméstica contra a Mulher — conduzida pelo Instituto Avon em parceria com o Data Popular e divulgada em 2013 — já havia acessado as entranhas desse problema. À época, os resultados causaram choque nacional: 56% dos homens admitiam já ter cometido atitudes que caracterizam violência doméstica contra suas parceiras. A normalização da agressão em “situações de traição” já despontava como um traço persistente do machismo brasileiro.

Quinze anos depois, o espelho continua a refletir o mesmo rosto ferido — talvez com ainda mais nitidez. Se antes os números pareciam distantes, hoje eles mostram a resistência de um padrão cultural que legitima a violência masculina como forma de controle, punição ou reafirmação de poder.

O Brasil avança em legislação, campanhas, debates… mas a cultura caminha mais devagar. E enquanto quase metade dos homens ainda acredita que a agressão pode ser uma resposta aceitável, a luta das mulheres permanece desigual.

Entender essa realidade é o primeiro passo para transformá-la. Questionar crenças, educar meninos e meninas, quebrar o ciclo de silêncio, responsabilizar agressores e proteger sobreviventes — nada disso é opcional num país onde a violência de género é estrutural.

O espelho está diante de nós outra vez. A pergunta é: vamos desviar o olhar mais uma vez, ou finalmente encarar o que ele revela?

1) Versão Jornalística

Violência contra a mulher no Brasil permanece enraizada na cultura, mostra nova pesquisa

Uma nova pesquisa apresentada no livro Brasil no Espelho, uma iniciativo da Globo e divulgada recentemente, através do livro de Felipe Nunes, trouxe à tona um dado alarmante: 44% dos homens brasileiros consideram “natural” agredir uma mulher em caso de traição. O número reacende o debate sobre violência de género no país e revela a persistência de valores machistas no cotidiano.

Especialistas apontam que o dado não surpreende quem acompanha a evolução histórica do problema. Em 2013, a pesquisa Percepções dos Homens sobre a Violência Doméstica contra a Mulher, realizada pelo Instituto Avon e Data Popular, já indicava que 56% dos homens admitiram comportamentos que configuram violência doméstica.

O novo levantamento reflete a continuidade de padrões culturais que legitimam a agressão como forma de controle ou punição. Para estudiosos do tema, o entendimento da violência como um fenômeno estrutural — e não episódico — é essencial para a formulação de políticas públicas mais eficazes.

Organizações de defesa dos direitos das mulheres alertam que, apesar dos avanços legais, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, ainda há um longo caminho para enfrentar crenças e comportamentos profundamente arraigados na sociedade.

Os números do “espelho”

Os números mais recentes (2024/2025) indicam que milhões de brasileiras sofreram violência doméstica e familiar, com destaque para a Pesquisa DataSenado 2025 apontando 3,7 milhões nos últimos 12 meses, sendo 70% com crianças presentes; há registros de alta nos feminicídios, com 718 casos no 1º semestre de 2025 (Observatório do Senado), e aumento na violência não letal (Atlas da Violência 2025), enquanto dados do Ministério da Justiça mostram queda na violência letal em 2024 em comparação co2023, mas com alta nos casos de feminicídio em 2023

Outro dados relevantes:

Violência Doméstica e Familiar (DataSenado 2025): 3,7 milhões de mulheres sofreram violência nos últimos 12 meses, com 71% dos casos ocorrendo na presença de outras pessoas, incluindo crianças, e 10% envolvendo violência digital.

Feminicídios (Mapa da Violência/Senado – 1º Semestre 2025): 718 feminicídios registrados, indicando uma média de 187 estupros por dia.

Violência Letal (Ministério da Justiça/2024): Queda de 5,07% nos casos de feminicídio e homicídio doloso seguido de morte de mulheres em 2024 comparado a 2023 (1.450 feminicídios em 2024 vs. 1.438 em 2023).

Violência Não Letal (Atlas da Violência 2025): Notificados 275.275 casos de violência contra mulheres em 2023, aumento de 24,4% em relação ao ano anterior, sendo 64,3% violência doméstica.

Agressores: Cônjuges, companheiros ou ex-parceiros são os principais agressores (40% e 26,8%), evidenciando caráter doméstico da violência. 

Contexto e Tipos de Violência

Locais Comuns: Locais de trabalho, casas de familiares e estabelecimentos comerciais são os mais citados em denúncias.

Tipos: Insultos e humilhações (31,4%), agressão física (16,9%), ameaças com armas (6,4%) e violência digital (10%) são frequentes.

Presença de Crianças: A maioria (70%) das agressões ocorre com crianças presentes, e 9 em cada 10 agressões são presenciadas por alguém. 

No Judiciário,

O Brasil recebe cerca de 17 denúncias de violência contra a mulher por hora; o Judiciário registrou mais de 966 mil casos novos de violência doméstica em 2024, com alta demanda e processos pendentes. 

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