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São Luís (MA), 5 de março de 2026

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Lançamento do foguete coreano da Base de Alcântara é adiado mais uma vez

O primeiro lançamento de um foguete comercial no Brasil, marcado para esta quarta-feira (17), foi adiado novamente. A informação foi divulgada pela empresa Innospace, sul-coreana responsável pela produção do veículo e confirmada pela Força Aérea Brasileira (FAB).

O foguete HANBIT-Nano terá nova data, e passará por ajustes técnicos

O primeiro lançamento de um foguete comercial no Brasil, marcado para esta quarta-feira (17), foi adiado novamente. A informação foi divulgada pela empresa Innospace, sul-coreana responsável pela produção do veículo e confirmada pela Força Aérea Brasileira (FAB).

Em nota, a Innospace afirmou que o adiamento ocorreu para “garantir tempo para a substituição de componentes” após uma anomalia ser detectada no dispositivo de resfriamento do sistema de fornecimento de oxidante do primeiro estágio durante o procedimento de inspeção final para o lançamento.

Ainda segundo a Innospace, cuja sede é em São José dos Campos (SP), “a medida envolve apenas a substituição de alguns componentes do sistema de refrigeração e que o foguete não apresenta defeitos estruturais”.

Quando lançado, o foguete terá a bordo oito cargas úteis, sendo cinco satélites e três experimentos que foram desenvolvidos por entidades do Brasil e da Índia.

O lançamento representa um marco para o Programa Espacial Brasileiro, com aplicações em estudos ambientais e no desenvolvimento de futuras missões. Caso seja bem-sucedida, a operação pode posicionar o Brasil de forma estratégica no mercado global de lançamentos espaciais.

 Essa vai ser a primeira vez que o Brasil vai liderar uma missão comercial de colocação de satélites em órbita a partir do território nacional. O trabalho é coordenado pela Força Aérea Brasileira (FAB) e pela Agência Espacial Brasileira (AEB).

Os satélites atuarão em mais de cinco frentes de pesquisa e análise de dados, sendo elas a coleta e transmissão de dados ambientais; testes de comunicação em órbita; envio de mensagens ao espaço e outros testes de comunicação; navegação e precisão do foguete; monitoramento de dados solares e o posicionamento de alta precisão.

O lançamento do foguete HANBIT-Nano ocorrerá em dois estágios e poderá ser visto a olho nu dos céu de Alcântara (MA) e em parte de São Luís (MA). Ao todo, estão sendo mobilizados 500 profissionais entre civis e militares para a operação.

Coleta e transmissão de dados ambientais

O satélite Jussara-K foi desenvolvido pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em parceria com startups e instituições nacionais. O nome faz referência a Jussara, conhecido também como açaí, um fruto tradicional do Maranhão e de estados do Norte.

Satélite desenvolvido por pesquisadores da UFMA será lançado no espaço — Foto: Divulgação/UFMA

Sua missão será coletar dados ambientais em regiões de difícil acesso, comunicando-se com plataformas terrestres de coleta de dados (PCDs), que estão posicionadas estrategicamente na região de Alcântara.

Comunicação em órbita

Os satélites FloripaSat-2A e FloripaSat-2B foram desenvolvidos no laboratório SpaceLab da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O FloripaSat-2B é produzido totalmente no Brasil.

Dois dos satélites que estarão a bordo do foguete HANBIT-Nano — Foto: Divulgação/FAB

Ambos devem validar em órbita as tecnologias criadas no próprio laboratório, considerando a plataforma FloripaSat-2 como base para futuras missões espaciais.

O dispositivo também vai validar um sistema de comunicação via LoRa, uma tecnologia de baixo consumo energético amplamente utilizada em aplicações de IoT (Internet das Coisas).

Mensagens ao espaço

Um dos satélites, o PION-BR2 – Cientistas de Alcântara, enviará ao espaço mensagens de alunos da rede pública de Alcântara. O objetivo é aproximar as comunidades quilombolas da região de atividades espaciais na área.

O dispositivo foi desenvolvido pela UFMA, em parceria com a AEB, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a startup PION. 

Além das mensagens, o satélite fará testes em sistemas nacionais de comunicação, energia, painéis solares e computador a bordo, contribuindo para o fortalecimento da indústria espacial no Brasil.

Navegação e precisão do foguete

De olho em missões futuras, o HANBIT-Nano levará a bordo um Sistema de Navegação Inercial (SNI), uma plataforma de tecnologia nacional que será testada em condições reais de voo. Ele foi batizado de SNI-GHSS.

➡️ O objetivo é validar o desempenho do sistema, fortalecer a tecnologia desenvolvida no país e permitir que empresas brasileiras passem a oferecer o produto no mercado internacional.

O sistema é capaz de determinar com precisão a velocidade, a posição e a atitude do foguete ao longo da trajetória, garantindo maior controle e eficiência da missão. Além do setor aeroespacial, a tecnologia também possui aplicações em áreas como drones, veículos terrestres e marítimos.

O desenvolvimento do SNI ocorreu por meio de uma encomenda tecnológica da Agência Espacial Brasileira (AEB), em parceria com as empresas Concert Space, Cron e HORUSEYE TECH.

Monitoramento de dados solares

Entre as cargas úteis do foguete está o Solaras-S2, um experimento internacional de comunicações voltado à observação da atividade solar. O objetivo é monitorar fenômenos solares que podem impactar sistemas de comunicação, navegação e outras tecnologias na Terra.

O Solaras-S2 é desenvolvido pela empresa indiana Grahaa Space, referência em soluções tecnológicas para missões espaciais de pequeno porte.

Posicionamento de alta precisão

O HANBIT-Nano levará aos céus um Sistema de Navegação Inercial (INS), responsável pela execução de um algoritmo de navegação autônoma e auxiliada por GNSS (Global Navigation Satellite System). O objetivo é testar e validar a plataforma em ambiente suborbital – quando o veículo sobe até o espaço, realiza os testes e depois retorna à Terra.

🚀 Esse experimento deve gerar dados para sua futura aplicação em sistemas de navegação embarcados em missões espaciais.

O sistema foi desenvolvido pela empresa Castro Leite Consultoria (CLC), que também possui outro experimento a bordo do foguete. No entanto, por solicitação do fabricante, a Força Aérea Brasileira (FAB) terá acesso apenas aos dados de um dos dispositivos.

Parcerias

O HANBIT-Nano é desenvolvido pela empresa sul-coreana Innospace e foi projetado para lançamento de pequenos satélites. A empresa recebeu autorização da Força Aérea Brasileira (FAB) em maio deste ano para o lançamento do veículo espacial.

🚀 O foguete tem 21,9 metros de altura, pesa 20 toneladas e tem 1,4 metro de diâmetro. Em números mais reais, o HANBIT-Nano pode voar 30 vezes mais rápido que um avião comercial e tem o peso de quatro elefantes africanos.

Esta não é a primeira vez que a empresa sul-coreana realiza um lançamento na Base de Alcântara. Em março de 2023, foi realizado um voo-teste com o foguete HANBIT-TLV e, na época, a operação foi considerada bem-sucedida e o voo durou 4 minutos e 33 segundos.

Foguete HANBIT-Nano previsto para ser lançado nesta sexta-feira (19) no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) no Maranhão — Foto: INNOSPACE

Com informações FAB/INNOSPACE/G1

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