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São Luís (MA), 5 de março de 2026

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Bando já estava com o ‘pé no estribo’, mas Justiça barra soltura

No jargão popular maranhense, alguém que está prestes a partir já está “com um pé no estribo”, pronto para subir no cavalo e seguir viagem. Foi essa expressão — que transmite a ideia de deixar um lugar a qualquer momento — que muitos usaram nos bastidores após o Ministério Público ter emitido parecer favorável à soltura de investigados na Operação Tântalo II, deflagrada no interior do Maranhão. Pronto! O bando já está com 'o pé no estribo', disseram muitos, mas a coisa não foi bem assim.

No jargão popular maranhense, alguém que está prestes a partir já está “com um pé no estribo”, pronto para subir no cavalo e seguir viagem. Foi essa expressão — que transmite a ideia de deixar um lugar a qualquer momento — que muitos usaram nos bastidores após o Ministério Público ter emitido parecer favorável à soltura de investigados na Operação Tântalo II, deflagrada no interior do Maranhão. Pronto! O bando já está com ‘o pé no estribo’, disseram muitos, mas a coisa não foi bem assim.

A Operação Tântalo II apura um esquema de desvios de cerca de R$ 56 milhões em recursos públicos do município de Turilândia, envolvendo fraudes em licitações, empresas de fachada e a participação de autoridades locais. No fim de semana, a Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público do Maranhão (PGJ/MP-MA) emitiu parecer favorável à liberdade provisória do prefeito, da primeira-dama e de outros investigados, o que intensificou rumores de que o “bando” poderia logo deixar as celas.

Reação e tensão institucional

A manifestação da PGJ gerou forte reação interna: dez promotores de Justiça que integram o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) pediram exoneração coletiva de suas funções, afirmando que o parecer contraria o entendimento técnico construído durante as investigações e enfraquece a atuação institucional no combate ao crime organizado. Segundo o documento dos promotores, a posição da cúpula institucional vai na contramão das provas reunidas e dos fundamentos que embasaram as prisões preventivas decretadas ao longo da apuração do caso.

Justiça mantém prisões

Apesar da pressão e do parecer favorável do Ministério Público, a 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), sob relatoria da desembargadora Graça Amorim, negou a maioria dos pedidos de soltura apresentados pelas defesas. A Justiça entendeu que os acusados — entre os quais o prefeito e membros do Executivo e Legislativo municipal — ainda representam risco de continuidade de atos ilícitos, perigo para a investigação e risco de fuga, fatores que tornam insuficientes medidas cautelares mais brandas.

Medidas cautelares e exceções

Foram mantidas prisões preventivas, prisões domiciliares monitoradas, afastamento de cargos públicos e suspensão de atividades econômicas para os envolvidos. Uma exceção humanitária foi concedida: Clementina de Jesus Pinheiro Oliveira, pregoeira do município, diagnosticada com câncer de útero, teve sua prisão convertida em domiciliar com monitoramento eletrônico, podendo sair apenas para consultas médicas. Já os pedidos de prisão domiciliar baseados no Estatuto da Primeira Infância, apresentados pela primeira-dama e pela vice-prefeita sob argumento de serem mães de crianças pequenas, foram rejeitados pela magistrada, que considerou a situação “excepcionalíssima”, citando até o uso de recursos desviados para pagar despesas das próprias crianças — o que, segundo a decisão, fere o “melhor interesse do menor”.

Contexto das investigações

Os investigados foram alvos de prisões preventivas decretadas no fim de dezembro de 2025, quando a segunda fase da Operação Tântalo II resultou na detenção de vereadores, empresários, servidores públicos e líderes do Executivo municipal. O esquema, conforme as investigações, utilizava licitações fraudulentas para direcionar contratos e repassar recursos públicos a empresas de fachada, com parte dos valores beneficiando diretamente parlamentares locais.

Status atual

Com a negativa de liberdade provisória, a maioria dos acusados segue detida, embora alguns cumpram prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. O caso segue sob análise do TJ-MA, e o Ministério Público deve agora confrontar as declarações colhidas com as provas, abrindo caminho para a formalização de denúncias.

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