Na sexta-feira, 30 de janeiro, mais uma vez, a cidade de São Luís amanhece sem ônibus nas ruas

São Luís, capital do Maranhão, voltou a viver mais um capítulo de um problema crônico: a paralisação do transporte coletivo. Mais uma vez, cerca de 700 mil usuários foram diretamente afetados, muitos obrigados a recorrer a caronas improvisadas ou a serviços por aplicativo, que passaram a cobrar tarifas elevadas. Outros sequer conseguiram chegar ao trabalho, à escola ou a compromissos essenciais, como consultas e atendimentos médicos. Como em episódios anteriores, o ônus recaiu quase exclusivamente sobre a população de menor renda, que tem no transporte público seu único meio de locomoção.
O episódio contrasta com a boa avaliação popular do prefeito Eduardo Braide, impulsionada sobretudo pela execução de obras de infraestrutura viária — pontes, viadutos e extensos serviços de asfaltamento, concentrados majoritariamente nas áreas nobres da cidade. A São Luís do asfalto novo avança para quem tem veículo próprio, mas a cidade real, aquela que depende do ônibus, segue parada no tempo. A política de mobilidade urbana parece priorizar a fluidez do tráfego individual, enquanto negligencia o transporte coletivo, de massa, que deveria ser o eixo central de qualquer planejamento urbano inclusivo.
As greves sucessivas já deixaram de ser um fato isolado para se tornar sintoma de um modelo esgotado. Há falhas evidentes de gestão pública, de fiscalização dos contratos, de responsabilidade empresarial e de mediação institucional. Prefeitura, empresas concessionárias e trabalhadores do sistema parecem presos a um ciclo de conflitos recorrentes, sem que se apresente à sociedade uma solução estrutural e definitiva. Enquanto isso, a população segue refém de acordos frágeis, decisões provisórias e promessas reiteradas.
Diante desse cenário, a cobrança precisa ser clara e objetiva. Cabe ao prefeito de São Luís assumir o protagonismo político que o cargo exige e liderar uma saída concreta para o impasse, indo além de soluções emergenciais. Aos empresários do transporte coletivo, é indispensável maior transparência, compromisso com a qualidade do serviço e respeito aos usuários que financiam o sistema. À Câmara Municipal, compete exercer seu papel fiscalizador e legislativo, deixando de tratar o tema apenas nos momentos de crise. E à Justiça do Trabalho, frequentemente acionada para mediar os conflitos, cabe questionar se decisões pontuais e paliativas têm sido suficientes para evitar que a população continue pagando a conta da incapacidade dos atores envolvidos.

O direito de ir e vir não pode seguir sendo suspenso a cada nova paralisação. Governar a cidade exige mais do que obras visíveis; exige garantir serviços essenciais funcionando de forma contínua, digna e justa. E, no caso do transporte coletivo em São Luís, essa responsabilidade segue em aberto — para todos os que têm o dever legal e político de resolvê-la.









