O júri é nesta terca-feira, 28. A vítima, o jogador de handebol Júnior Miranda, cercado e morto a tiros na Forquilha
Não há um dia em que a professora Ananery Miranda não chore e não ore, clamando por justiça.
São quase 12 anos, mas ela não consegue preencher o vazio deixado pelo filho, o jogador de handebol Rubem Miranda Saraiva, chamado carinhosamente em família por “Júninho” – por conta do pai, Rubilota, exímio handebolista e técnico da seleção maranhense. Ele foi covardemente assassinado, aos 39 anos, a tiros de revólver, em uma rua do bairro da Forquilha.
Rubem Júnior vivia uma relação conturbada com a ex-companheira, Jéssica Cardoso Gomes, com quem tivera um casal de filhos. No dia 8 de novembro de 2014, teria sido atraído, por Jéssica, ao Cohatrac, onde foi surpreendido por Mário Rodrigues Cardoso Gomes, irmão dela, e o tio desta, Walber Macedo Gomes, tentando agredi-lo, segundo eles por conta de uma discussão que o atleta tivera com a ex-mulher, dois dias antes.
Para não se meter em briga – segundo depoimentos posteriores -, Rubem foi para o seu carro e saiu às pressas do local, porém, foi seguido pela dupla em outro veículo. Tentando escapar da perseguição, o atleta entrou, sem saber, numa rua sem saída, no bairro da Forquilha, sendo alcançado pelos perseguidores. Ainda desceu do veículo, tentando entrar numa casa, mas não deu tempo: foi alcançado e alvejado com vários tiros pela dupla, morrendo ali mesmo. Os dois acusados fugiram do local sem serem reconhecidos, o que aconteceria depois, com o andar das investigações. Mas a estratégia da defesa, em princípio, foi pela negativa de autoria.
Conta-se que Jéssica teria incentivado os parentes a punir o ex-companheiro, alegando maus tratos, o que fez com que eles prometessem vingança.

percussão x demora
O crime teve enorme repercussão, já que Rubens era uma pessoa conhecida em São Luís. Apesar disso, o inquérito se arrastou pelo tempo – já se passaram 11 anos e 5 meses -, e também o processo, no âmbito da Justiça, com o júri popular já tendo sido adiado algumas vezes, pela ação da defesa dos autores do crime.
Ao longo desse tempo, a família não descansou, e tem usado como pressão campanhas pela mídia e protestos de rua, na expectativa de que a justiça seja feita, desejando que aconteça neste dia 28.05 (terça-feira), na sala do Tribunal do Júri Popular, no Fórum de São Luís.
– Sei que uma pena justa aos assassinos não vai trazer meu filho de volta, mas vai servir para acalmar um pouco as aflições que eu e minha família vivem, à espera de Justiça – diz a mãe, Ananeri. E relata que sempre que entra no quarto do filho, que morava com ela, as lágrimas voltam: “Há sempre um imenso espaço vazio, tanto físico quanto emocional. É um pedaço de mim que se foi e jamais será reposto”, conclui.







